Destaque no vôlei de praia, jovem de Tubarão conta com apoio dos pais e parentes para bancar viagens e competições
O talento abre portas nas quadras de areia, mas é o preço das passagens, da alimentação e das inscrições que determina até onde um atleta pode chegar.
Aos 17 anos, o tubaronense Alex Vinícius vive exatamente o divisor de águas que desafia promessas do esporte em todo o país: a transição entre o destaque regional e a exigência financeira do alto rendimento.
Com uma rotina de disciplina rígida e resultados expressivos no currículo, ele mira a disputa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia em 2027.
O obstáculo imediato, contudo, não está na rede adversária, mas no orçamento necessário para colocar o projeto de pé.
Vocação para o esporte
A relação de Alex com o esporte começou cedo. Ainda aos 3 anos, entrou nas categorias de base do futebol pelo Hercílio Luz, passando pelo núcleo de formação do Athletico Paranaense e pelas divisões de base do Criciúma.
O rumo da carreira mudou em 2025, quando Alex passou a se dedicar ao vôlei de praia sob a orientação da técnica Keila Santos e já no primeiro ano de competição na areia, conseguiu resultados que aumentaram a expectativa em torno da carreira.
Alex foi destaque nos Jogos Escolares de Santa Catarina (JESC) e também teve boas atuações nos Joguinhos Abertos de Santa Catarina.
Os resultados chamaram a atenção da técnica, que passou a projetar para o atleta um calendário mais próximo do alto rendimento.
Jovem inspirou a mudança de rotina na família
A busca pelo alto rendimento também alterou a rotina da família. Alex cursa o segundo ano do ensino médio e concilia os estudos com os treinamentos e as competições.
O pai deixou o emprego formal para trabalhar como motorista de aplicativo, buscando uma rotina mais flexível para acompanhar o filho. Ele também ingressou na faculdade de Educação Física, tornou-se árbitro da Liga de Voleibol e passou a auxiliar na preparação física e no suporte aos treinamentos de Alex.
Em casa, os horários de sono e as refeições são organizados de acordo com a rotina de preparação do atleta. Familiares também ajudam na logística para os treinos e viagens.
Desafios financeiros
A projeção de disputar a elite nacional a partir de 2027 traz consigo a realidade crua dos custos de logística esportiva.
O calendário nacional prevê etapas em estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, exigindo investimentos contínuos em passagens aéreas, hospedagem, inscrições, uniformes e fisioterapia.
Alex recebe o Bolsa Atleta do município, mas o benefício, segundo a mãe, Vanessa Menezes de Oliveira, é de cerca de R$ 300 mensais e não é suficiente para cobrir as despesas projetadas para a próxima temporada.
O esforço colaborativo da família é o que tem garantido as suplementações e as taxas de torneios, funcionando como a principal rede de segurança contra a desistência precoce por falta de recursos.
Antes de encarar o circuito nacional em março de 2027, o planejamento prevê uma fase preparatória em torneios de verão no litoral catarinense, com o objetivo de testar o nível técnico contra atletas adultos e ganhar ritmo de jogo.
Para custear essa etapa e a confecção dos uniformes oficiais, a família já assegurou a primeira cota de patrocínio com a Sorvepatri e mantém negociações com outras empresas da região.
O tempo para fechar as cotas de patrocínio, no entanto, é curto. O cronograma exige a definição dos patrocinadores até o fim de setembro.
Conforme relata a mãe, Vanessa Menezes de Oliveira, a busca por visibilidade e parcerias empresariais não busca vaidade, mas a viabilidade prática de uma carreira.
A história de Alex traduz uma angústia comum a tantas famílias do Sul catarinense: até onde o talento de um jovem e a força de vontade de seus pais conseguem chegar quando as contas não fecham?
No cenário brasileiro, o investimento financeiro necessário transforma o acesso ao esporte de alto nível em uma barreira.
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