A Vida que Ninguém Vê conversou com o senhor Natalício Menegali Zanelato, de 68 anos. Hoje aposentado, ele trabalhou por muitos anos como chapeador de automóveis.
Cerca de quarenta anos atrás, foi até a cidade de Nova Veneza buscar um carro e, ao entrar em um galpão, viu um Volkswagen 1600, ano 1970, abandonado e em péssimo estado de conservação. Foi paixão à primeira vista.
Quis comprá-lo na mesma hora. Gostou tanto que acabou pagando até mais do que o automóvel valia naquele estado, só para poder levá-lo para casa. Natalício trouxe o Volkswagen para Tubarão, reformou e cuidou dele. Quase quarenta anos se passaram e o carro continua sendo seu xodó.
O Volkswagen 1600 teve uma passagem curta pelo mercado brasileiro, sendo produzido entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970, com cerca de 24 mil unidades fabricadas. Seu desenho quadrado, comprido e de linhas bastante retas não caiu no gosto dos consumidores da época.
E foi justamente essa aparência que lhe rendeu um apelido estranho: Zé do Caixão. O formato lembrava um caixão e, naquele tempo, fazia sucesso no Brasil o personagem Zé do Caixão, criado e interpretado pelo ator e cineasta José Mojica Marins, conhecido por seus filmes de terror.
O curioso é que o Volkswagen 1600, que no passado não fez o sucesso esperado e ficou marcado por seu formato diferente e pelo apelido assustador, hoje é uma raridade e desperta o interesse de muitos colecionadores de carros antigos.
Segundo seu Natalício, em Tubarão existem apenas dois exemplares do modelo. E o dele não está à venda por dinheiro nenhum.
Obrigado, senhor Natalício, por contar um pouquinho da sua história e também da história do velho e bom Zé do Caixão.
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