Existe um fenômeno curioso nas redes sociais.
Você escreve:
“Tem gente que só lembra de você quando precisa.”
Cinco minutos depois aparece alguém:
“Foi pra mim?”
Minha filha… se você se reconheceu tão rápido, talvez não seja indireta.
Talvez seja GPS moral.
Outro dia você escreve sobre falsidade.
Pronto.
Aparece uma pessoa ofendida que você nem lembrava que existia.
“Não precisava expor.”
Expor quem, criatura? Eu não coloquei nome, CPF, fotografia 3x4 nem árvore genealógica.
Você vestiu a carapuça, ajustou o elástico e ainda perguntou se combinava com o sapato.
A verdade é que algumas pessoas possuem uma consciência extremamente eficiente.
Você escreve sobre mentira, ela aparece.
Escreve sobre inveja, ela reage.
Escreve sobre gente interesseira…
Silêncio.
Porque essa está esperando precisar de você novamente.
E ainda existe aquela categoria maravilhosa que publica:
“Indireta comigo não funciona.”
Funciona sim.
Funcionou tanto que você fez quatro stories, duas postagens, bloqueou três pessoas e colocou uma música da Marília Mendonça.
Funcionou pra cacete.
Talvez o problema nunca tenha sido a indireta.
Talvez seja aquele desconforto delicioso de encontrar a própria personalidade descrita num texto que, teoricamente, não tinha destinatário.
Porque palavras são assim.
Às vezes são espelhos.
E espelho não acusa ninguém.
Só mostra.
Portanto, fica estabelecido:
Não é indireta.
É reflexão.
Agora, se serviu em você…
eu não tenho culpa do tamanho.
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