Tem gente que tem um talento impressionante para escolher o pior lugar possível e depois reclamar do que encontrou.
Entra em relação cheia de mentira e pergunta por que não consegue confiar.
Anda com gente fofoqueira e fica chocada quando descobre que virou assunto.
Aceita migalha durante anos e, de repente, indigna-se porque nunca lhe serviram o banquete.
Minha filha…
Você está pescando no esgoto e esperando salmão selvagem da Noruega.
Não vai dar.
E antes que alguém venha com aquele papo motivacional de que “a gente não escolhe quem ama”, aviso:
Pode até não escolher por quem o coração dá aquela sambada ridícula.
Mas escolhe onde permanece.
Porque sinal vermelho não é decoração natalina.
Quando a pessoa mente para todo mundo e você pensa “comigo será diferente”, parabéns: acabou de comprar ingresso para o espetáculo.
E ainda escolheu cadeira na primeira fila.
Temos uma capacidade quase sobrenatural de ignorar evidências quando elas atrapalham aquilo em que queremos acreditar.
“Ele é complicado.”
Não. Às vezes ele é só um cretino mesmo.
“Ela tem personalidade forte.”
Talvez seja apenas mal-educada.
“Ele não sabe demonstrar.”
Curioso. Para desaparecer, manipular e reaparecer às duas da manhã ele demonstra uma competência invejável.
A maturidade começa quando paramos de chamar de azar aquilo que repetidamente escolhemos tolerar.
Nem toda decepção é culpa nossa, claro.
Mas permanecer voluntariamente onde já conhecemos o cheiro…
e depois reclamar do peixe…
aí fica difícil.
Por isso, antes de perguntar por que só aparece gente complicada na sua vida, talvez seja interessante observar onde você anda jogando o anzol.
Porque autoestima também é saber recolher a linha.
E, principalmente:
parar de chamar esgoto de rio só porque você está com sede.
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