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GERAL
11/08/2020 07h48

Na análise de Lúcio Flávio: Tubarão riscada do mapa

O que entra para a história é o número de mortos, não o de recuperados

A estimativa mais recente do IBGE, feita em agosto do ano passado, aponta que somos 105.686 tubaronenses. De lá para cá aumentou um pouco mais, naturalmente, e já devemos ter passado dos 106 mil. Seja lá qual for o número exato, até o fim dessa semana a covid já terá levado a óbito, em todo o país, um número equivalente à população de Tubarão. É como se uma cidade do tamanho de Tubarão fosse riscada do mapa, atingida inteiramente por uma explosão como a que aconteceu no porto de Beirute, no Líbano, na semana passada.

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Na ânsia de tirar a responsabilidade dos ombros do presidente, bolsonaristas cobram de nós, jornalistas, que devemos focar não no número de mortos, mas no número de recuperados. Infelizmente para esses, não é assim que a história é registrada, nem dessa forma que o jornalismo é feito. As grandes tragédias da humanidade são contadas pelos jornalistas, e registradas nos livros de história, pelo número de mortes e horrores que deixam como infeliz legado. E não pelo desejo que um ou outro tem de livrar a cara do seu político preferido.

Tome-se a pandemia de gripe espanhola, em 1918, como exemplo. O que entrou para a história foram os 35 mil mortos, e a desgraça que foi a condução pelo governo brasileiro, devidamente registrada pela imprensa da época, e não o número de recuperados. Da mesma forma, qualquer outra tragédia, seja a bomba atômica no Japão, o atentado às Torres Gêmeas, o naufrágio do Titanic, o incêndio na Boate Kiss, o que mais importa para o interessado em saber mais sobre essas tragédias é o número dos que morreram, e não dos que sobreviveram.

Hoje, alguns se iludem repetindo que o vírus é invenção chinesa, e que a imprensa faz alarde para derrubar o presidente. Que tomar cloroquina, ivermectina ou até ozônio via retal é a cura da covid. Mas nossos descendentes estudarão, nos livros de história, o número de brasileiros mortos, o desprezo de nosso presidente pela ciência, a falta de uma ação coordenada que deixou o Ministério da Saúde sem ministro, que estendeu o platô e retardou a descida da curva de casos e de mortos. A história não costuma ser complacente com maus governantes.

Fonte: Lúcio Flávio - Região em Destaque / Sul Agora
Agora Sul
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