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GERAL
19/06/2020 15h53

Artigo: Reflexos da estiagem na Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar

Presidente do Comitê da Bacia lista os reflexos para diversos setores

Os 22 municípios que integram a RH9 (Região Hidrográfica 9) abrangendo a área de duas Bacias Hidrográficas do Estado de Santa Catarina, a Bacia Hidrográfica do Rio D’Una e a Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão, além de Bacias contíguas com sistemas de drenagem independentes e o Complexo Lagunar Sul Catarinense, assim como em outras regiões do estado catarinense, enfrentam, neste cenário de estiagem prolongada, uma situação bastante difícil e com reflexos em diversos setores.  


Contudo, além da má qualidade dos recursos hídricos, na maior parte da nossa Bacia Hidrográfica, já ser um problema crônico de longa data, agora incluímos o agravamento promovido pela estiagem, resultando, indubitavelmente, num processo de escassez hídrica.  


Já nos deparamos com implicações importantes afetando o abastecimento para consumo humano e dessedentação de animais, cujos usos são prioritários.  


Em relação ao abastecimento para consumo humano, diversos municípios já encontram sérias dificuldades para suprir plenamente essa demanda. O município de Laguna, por exemplo, divulgou uma nota no dia 22.05.2020, que “[...] devido à estiagem, município pode decretar situação de emergência por falta de água no Distrito do Ribeirão Pequeno”.  


Assim como o Distrito de Ribeirão Pequeno, várias outras localidades e propriedades rurais que utilizam nascentes e/ou pequenos cursos d´água para consumo humano e dessedentação animal, relatam a redução na quantidade do volume de água, limitando seu uso ou até mesmo a extinção destes enquanto perdurar este cenário crítico.  


Outro exemplo bastante preocupante é a situação da qualidade da água bruta captada para a ETA (Estação de Tratamento de Água) de Tubarão, que tem potencial de impactar no abastecimento de água potável para os municípios de Tubarão e Capivari de Baixo. Razão disso é o fato de que o único exutório da nossa Bacia se conecta na Lagoa de Santo Antônio, via Rio Tubarão e desta, por sua vez, ao mar, pela Barra da Laguna, e por influência de marés combinada com a estiagem prolongada, o avanço e a permanência da intrusão da cunha salina no Rio, já atinge o ponto de captação da ETA, distante a mais de 30 quilômetros da foz do Rio. Caso haja a evolução deste fenômeno natural poderá ser necessária a interrupção da captação no local onde hoje se encontra.  


A condutividade elétrica se encontra em níveis nunca vistos antes na água captada para a população destes dois municípios. Após a informação sobre o aumento da salinidade ter sido levada ao conhecimento do público em geral, consumidores tem reportado pequenos choques nos chuveiros e torneiras elétricas e registros de alegados danos em alguns equipamentos/aparelhos. Também nos chegam informações de consumidores narrando que por vezes sentem diferença no sabor da água que chega às torneiras. Segundo a Tubarão Saneamento, concessionária atuante no município de Tubarão, tem monitorado a qualidade da água, a qual, tem atendido aos parâmetros de potabilidade exigidos.  

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Setores energéticos também relatam dificuldades e preocupações. A salinização está atingindo também o Rio Capivari que tem captação para as usinas termoelétricas da Engie e tem picos de condutividade alta. Por enquanto, não tem comprometido a geração de energia, mas é uma preocupação que tem gerado alertas importantes, tendo em vista que há limite de condutividade a serem observados para captação de água para os sistemas de tratamento d’água e resfriamento das usinas.  


Em relação às hidrelétricas (PCHs) instaladas na região do Vale do Braço do Norte, estão com a geração mais baixa da história. Geram com a vazão baixíssima e dentro das condições técnicas mínimas de cada uma, e às vezes precisam desligar.  


A agricultura da região também teve, e se não houver rapidamente a normalidade das precipitações pluviométricas, continuará tendo prejuízos. Se a estiagem persistir, boa parte das áreas cultivadas com arroz na região corre o risco de não serem implantadas a partir de setembro, em função da salinização anormal de diversos mananciais do complexo lagunar.  


Por sua vez, muitos pecuaristas relatam dificuldades para suprir a demanda de água para a dessedentação de animais, além de expor outro grave problema que é a disponibilidade de forrageiras e pastagens para seus animais, que, pela falta de chuvas, seu crescimento é severamente afetado e, na maioria dos casos, praticamente secam.  


Compete a cada um de nós que reconheçamos a situação crítica e atípica pela qual estamos passando e que possamos entender a necessidade de agir sempre com racionalidade, otimização e responsabilidade no uso da água, evitando desperdícios, principalmente nas comunidades urbanas, onde na maioria das vezes são gerados e não cobrados.


Francisco de Assis Beltrame

Presidente do Comitê da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar  

Fonte: Redação
Agora Sul
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