Passei dos 50 e finalmente entendi:
eu não sou intensa.
O resto é que anda funcionando no modo economia de bateria.
Eu falo muito.
Rio alto.
Amo com vontade.
Me empolgo.
Me indigno.
Mando áudio de quatro minutos dizendo:
— É rapidinho…
E ainda mando outro depois porque esqueci “só uma coisinha”.
Se gosto, gosto mesmo.
Se não gosto, meu rosto faz o comunicado oficial antes que eu consiga impedir.
Nunca tive talento para ser morna.
Aliás, depois dos 50, morna eu só aceito a água do banho — e olhe lá, porque dependendo do calorão da menopausa, nem isso.
Já tentei diminuir meu volume para caber em alguns lugares.
Falar menos.
Sentir menos.
Questionar menos.
Ser aquela mulher serena, discreta, que respira fundo e conta até dez.
No três eu já tinha respondido.
Com a idade, descobri uma coisa maravilhosa: não preciso pedir desculpas por ocupar espaço.
Minha intensidade não é defeito.
É configuração de fábrica.
Quem achar demais pode diminuir o volume.
Só não venha procurar o controle remoto em mim.
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