Data instituída pela ONU destaca a relevância das micro, pequenas e médias empresas para a economia, a geração de oportunidades e a transformação social nas comunidades
Uma padaria de bairro, uma loja de roupas, uma agroindústria familiar ou uma empresa de tecnologia. Em diferentes segmentos e municípios, os pequenos negócios compõem a base da economia do Sul catarinense e ajudam a explicar indicadores de emprego, renda e desenvolvimento observados na região.
Neste sábado (27), data em que a Organização das Nações Unidas (ONU) celebra o Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas, o protagonismo desse setor volta ao centro das discussões.
Na área de abrangência da Gerência Regional Sul do Sebrae/SC, os números dimensionam a força do empreendedorismo. Das cerca de 191 mil empresas existentes na região, aproximadamente 170 mil são pequenos negócios. Juntas, elas respondem por quase 200 mil postos de trabalho.
Além da relevância econômica, o setor possui impacto direto na construção de oportunidades. Um dado que chama atenção é o papel das pequenas empresas na inserção de jovens no mercado de trabalho. Segundo o Sebrae/SC, 55% dos primeiros empregos são gerados por pequenos negócios.
Para o gerente regional Sul do Sebrae/SC, João Alexandre Guze, a presença das micro e pequenas empresas sustenta uma dinâmica que vai além dos indicadores financeiros. “As micro e pequenas empresas possuem enorme relevância econômica, mas também social. Muitas vezes representam a porta de entrada para o primeiro emprego e para a construção de uma trajetória profissional”, destaca.
Distribuição de oportunidades
A força dos pequenos negócios também aparece na composição do emprego formal. Conforme dados acompanhados pelo Sebrae/SC, as empresas de pequeno porte são responsáveis, em média, por 68% dos empregos formais nos municípios atendidos pela Gerência Regional Sul.
O cenário contribui para uma distribuição mais equilibrada de renda e oportunidades, especialmente em uma região que amplia a diversificação econômica e fortalece diferentes setores produtivos. Nesse sentido, comércio, serviços, indústria e agronegócio absorvem mão de obra e criam alternativas de ocupação para milhares de famílias. O resultado é um modelo de desenvolvimento descentralizado, com capacidade de alcançar municípios de diferentes portes e realidades.
Embora o ambiente empreendedor apresente avanços, desafios permanecem no cotidiano dos empresários. Entre os principais obstáculos apontados estão o acesso ao crédito em condições mais favoráveis, a dificuldade para contratação de mão de obra qualificada e a necessidade de elevar a produtividade dos negócios.
Conforme Guze, a superação desses desafios passa pelo fortalecimento da gestão empresarial, pela ampliação do acesso a mercados e pela capacidade de investimento das empresas. “O empreendedor precisa cada vez mais buscar conhecimento, melhorar processos e identificar novas oportunidades. A competitividade está diretamente ligada à capacidade de adaptação e inovação dos negócios”, afirma.
Apoio à competitividade
Para contribuir com esse processo, o Sebrae/SC mantém uma série de iniciativas voltadas ao fortalecimento do ambiente de negócios. Entre elas está o Programa Cidade Empreendedora, desenvolvido em parceria com prefeituras da região para estimular políticas públicas favoráveis ao empreendedorismo.
A instituição também amplia investimentos em capacitações, consultorias e ações que aproximam empresários de potenciais compradores, criando condições para expansão de mercados e fortalecimento das empresas.
Além das iniciativas de alcance geral, o Sebrae/SC direciona esforços para segmentos estratégicos, como comércio varejista, turismo, agronegócio, inovação e moda, com suporte técnico e financeiro voltado ao desenvolvimento desses setores.
O acompanhamento próximo da realidade empresarial permite observar transformações recorrentes em empresas atendidas pela instituição. Em muitos casos, pequenas mudanças de gestão, planejamento ou posicionamento de mercado representam pontos de inflexão capazes de assegurar a continuidade e o crescimento dos negócios.
“A vantagem de uma pequena empresa está na agilidade para ajustar rotas, implementar melhorias e responder mais rapidamente às necessidades dos clientes. Em muitos casos, conseguem até antecipar tendências e demandas do mercado”, observa.
Empreendedorismo como força transformadora
Ao refletir sobre o Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas, o gerente regional destaca que o desenvolvimento observado no Sul catarinense está diretamente relacionado à cultura empreendedora construída ao longo das últimas décadas.
“A qualidade de vida que temos no Sul é resultado de uma construção coletiva. Entidades, governos, escolas e diversas organizações contribuem para isso, mas a força empreendedora da nossa população tem papel decisivo nessa trajetória. O trabalho levado a sério transforma realidades”, ressalta.
Na avaliação do Sebrae/SC, a data instituída pela ONU reforça o reconhecimento global da contribuição das micro, pequenas e médias empresas para a geração de empregos, a circulação de renda e a construção de economias mais resilientes.
A mensagem aos empreendedores, segundo Guze, é de confiança e perseverança. “Que continuem acreditando nos seus sonhos e na capacidade de realização. O Sebrae está ao lado de quem empreende, com o propósito de impulsionar o sucesso dos negócios e contribuir para uma melhor qualidade de vida dos catarinenses”, conclui.
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