Aceitar um amor medíocre na esperança de que o tempo o transforme em algo extraordinário é uma das maiores crueldades que podemos cometer contra nós mesmos.
Porque o tempo pode amadurecer o amor.
Mas não fabrica aquilo que nunca existiu.
Não transforma indiferença em cuidado, ausência em presença, migalhas em banquete. Não ensina alguém a nos escolher quando essa pessoa passa os dias nos deixando como segunda opção.
E, ainda assim, permanecemos.
Esperando.
Esperando que amanhã ele perceba.
Que depois da próxima conversa tudo mude.
Que quando a vida estiver menos corrida haverá mais carinho.
Que depois daquela fase difícil virá a atenção.
Que um dia seremos amadas exatamente como sempre sonhamos.
E os meses viram anos.
O mais triste é que, enquanto esperamos o outro se transformar, somos nós que vamos mudando.
Diminuímos nossas expectativas.
Silenciamos necessidades.
Paramos de pedir.
Começamos a chamar ausência de “jeito dele”.
Frieza de “personalidade”.
Desinteresse de “fase”.
E migalhas de amor.
Até que um dia já nem perguntamos se estamos felizes.
Perguntamos apenas se conseguiríamos viver sem aquela pessoa.
E são perguntas completamente diferentes.
Amor extraordinário não significa relacionamento perfeito. Existem dias ruins, cansaço, desencontros, discussões e dificuldades.
Mas existe reciprocidade.
Existe vontade.
Existe aquele movimento bonito de duas pessoas tentando fazer dar certo — e não uma carregando a relação enquanto a outra simplesmente se deixa carregar.
Você não precisa de alguém perfeito.
Precisa de alguém presente.
Alguém que não faça você implorar pelo básico e depois agradecer como se tivesse recebido o mundo.
Porque há uma diferença enorme entre construir um grande amor e passar a vida reformando um amor que nasceu pequeno.
Algumas pessoas permanecem décadas esperando a versão de alguém que nunca existiu.
E talvez a maior prova de amor-próprio seja finalmente compreender:
não devemos amar alguém pelo extraordinário que imaginamos que ele poderá ser um dia.
Precisamos olhar para aquilo que ele escolhe ser conosco hoje.
Porque esperança é linda.
Mas, quando usada para justificar a falta de amor, ela também pode se transformar numa prisão.
E ninguém deveria gastar a própria vida esperando florescer aquilo que nunca teve raiz.
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