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GERAL
26/10/2026 17h16

Justiça determina interdição de comunidade terapêutica de Laguna

Liminar foi obtida após fiscalizações apontarem acolhimentos contra a vontade dos residentes

A Justiça determinou a interdição imediata da Comunidade Terapêutica Ágape Vida, em Laguna.


A liminar, obtida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na última terça-feira (20), suspende as atividades da instituição após fiscalizações identificarem uma série de irregularidades. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (26).


Entre os problemas apontados estão a permanência de pessoas contra a própria vontade, retenção de documentos pessoais e cartões bancários, falhas no controle de medicamentos e relatos de agressões físicas e verbais.


A fiscalização também recebeu denúncias de punições que incluíam restrições de alimentação e contato com familiares.

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O Município de Laguna terá 15 dias para retirar os acolhidos da instituição. Conforme a necessidade de cada pessoa, deverá ser providenciado o retorno para casa ou o encaminhamento à rede de saúde.


A decisão também determina a suspensão do convênio com o Governo do Estado e dos repasses de recursos públicos à entidade.


Fiscalização encontrou alimentos vencidos e pacientes sem assistência adequada


Durante uma vistoria realizada em agosto, o MPSC identificou alimentos vencidos, problemas no armazenamento de medicamentos e falta de assistência adequada a idosos, pessoas com deficiência e pacientes com transtornos mentais graves.


Alguns residentes dependiam da ajuda de outros acolhidos para atividades básicas, como alimentação, higiene e locomoção.


Dos 37 homens que estavam na instituição, apenas 13 respeitavam o prazo máximo de permanência de nove meses. Alguns relataram estar no local havia mais de quatro anos.


Durante a fiscalização, um dos acolhidos precisou ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao hospital após ser encontrado em estado de confusão mental e com dificuldades para caminhar.


Instituição já havia sido notificada


Segundo o MPSC, a comunidade terapêutica havia firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em 2023 para corrigir irregularidades, mas as obrigações não foram integralmente cumpridas.


O promotor de Justiça Paulo Henrique Lorenzetti da Silva informou que a situação se agravou em 2026, quando acolhidos e ex-acolhidos passaram a relatar novos problemas à Promotoria.


Além da suspensão imediata das atividades, o Ministério Público solicita à Justiça o encerramento definitivo da instituição. O pedido ainda será analisado durante o processo.


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