Se você não decide o seu destino, estará à mercê dos ventos.
E vento, minha gente, não tem compromisso com endereço.
Sopra para onde quer. Muda de direção sem pedir licença. Às vezes empurra, às vezes derruba. E quem vive esperando que a vida escolha por si acaba chegando a lugares onde nunca quis estar.
Tem gente que chama isso de destino.
Eu chamo de falta de decisão.
Passamos tempo demais esperando sinais. Esperando a hora certa, a coragem chegar, alguém aprovar, alguém convidar, alguém perceber nosso valor.
Enquanto isso, a vida acontece.
E decidir não significa saber exatamente aonde vamos chegar. Significa, pelo menos, escolher para onde queremos apontar o barco.
Porque também haverá tempestades.
Haverá dias sem vento.
Haverá correntezas contrárias.
E, vez ou outra, será preciso mudar a rota.
Mudar de ideia não é fracassar.
Recalcular caminho não é desistir.
Voltar atrás também pode ser uma decisão inteligente.
O perigo é entregar o leme.
Ao marido.
À família.
Ao chefe.
À opinião dos outros.
Ao medo.
À culpa.
Ao famoso “deixa a vida me levar”.
Bonito na música.
Perigoso como filosofia de vida.
Chega uma idade em que entendemos que liberdade não é fazer tudo o que queremos. É assumir a responsabilidade pelas escolhas que fazemos, inclusive pelas que adiamos.
Eu já fui levada por alguns ventos.
Já permaneci onde deveria ter partido.
Já esperei quando deveria ter agido.
Já disse “vamos ver” quando, no fundo, eu sabia exatamente o que precisava fazer.
Hoje prefiro o risco da escolha ao conforto da omissão.
Posso até errar o caminho.
Mas quero ter a dignidade de saber que fui eu quem segurou o leme.
Porque vento nenhum deveria ter mais poder sobre a nossa vida do que a nossa própria coragem.
Se você não escolher para onde vai, qualquer direção parecerá destino.
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