A moda é uma criatura curiosa. Passamos décadas lutando para conquistar espaço numa sociedade que insistia em nos colocar de avental. Agora, depois de tanta batalha, algumas mulheres resolveram colocar uma gravata!
Vai entender!
Nada contra. Aliás, há mulheres que ficam elegantíssimas de terno, camisa e gravata. Mas confesso que, quando vejo certas tendências sendo anunciadas como o ápice do empoderamento feminino, fico pensando: será que a revolução agora vem com nó Windsor?
Lutamos para tirar as amarras e a moda nos oferece uma para colocar no pescoço! (risos)
Eu, particularmente, já tenho nós suficientes para desatar na vida. Não preciso acrescentar mais um logo abaixo do queixo.
E antes que as fiscais do politicamente correto venham me acusar de antiquada, esclareço: cada mulher deve vestir o que quiser. Inclusive gravata, suspensório, smoking ou a toalha de mesa da avó, se achar elegante!
O que me diverte é essa necessidade de transformar tudo em manifesto.
Uma mulher não precisa se vestir como um executivo para demonstrar competência. Assim como um homem de gravata não se torna automaticamente inteligente. Se fosse assim, Brasília seria a capital mundial da sabedoria!
E convenhamos: basta acompanhar uma sessão do Congresso para perceber que tecido no pescoço não garante conteúdo na cabeça.
A elegância feminina nunca dependeu de copiar o guarda-roupa masculino. Está na postura, na inteligência, na autenticidade e, principalmente, na liberdade de escolher.
Quer usar gravata? Use! Quer usar vestido? Use! Quer misturar os dois? Desfile!
Só não me vendam a ideia de que um acessório representa, por si só, uma conquista histórica.
Porque, depois de tantas lutas por igualdade, respeito e reconhecimento, seria uma ironia monumental acreditar que o poder feminino está pendurado numa tira de tecido.
A mulher não precisa parecer um homem para ocupar o mesmo espaço que ele. Precisa apenas que parem de exigir que ela prove, todos os dias, que merece estar ali.
E quanto a mim?
Prefiro continuar desatando nós a inventar novos.
Especialmente depois dos 50, quando até o sutiã apertado já foi convidado a se retirar da minha vida!
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