Sou totalmente a favor de proibir os comerciais de apostas no Brasil.
Exatamente como aconteceu com o cigarro.
Não porque apostar seja crime, mas porque transformar o vício em espetáculo tem um preço alto. E quem paga essa conta, quase sempre, são as famílias.
Hoje, as bets invadem a televisão, o rádio, a internet, o futebol, os influenciadores. A promessa é sempre sedutora: dinheiro fácil, liberdade financeira, a sensação de que a sorte está a um clique de distância.
Mas ninguém faz propaganda das contas atrasadas.
Ninguém mostra o pai que perdeu o salário do mês, a mãe que entrou em dívida, o jovem que começou apostando vinte reais e terminou devendo milhares.
Toda indústria que lucra com um comportamento potencialmente compulsivo sabe do poder da publicidade. Ela não vende apenas um produto. Ela vende uma expectativa.
Foi assim com o cigarro.
Durante décadas, venderam glamour antes que a ciência revelasse o tamanho da destruição. Quando entendemos o impacto coletivo, restringimos a propaganda. Não proibimos o cigarro. Proibimos a sedução.
Talvez esteja na hora de fazer a mesma reflexão sobre as apostas.
O esporte não pode se tornar uma vitrine permanente para um mercado que depende, em parte, da perda financeira de quem joga.
Liberdade econômica é importante.
Mas proteger crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis também é.
Nem tudo o que é legal precisa ser anunciado como se fosse inofensivo.
Porque existem propagandas que não vendem apenas um produto.
Elas vendem uma ilusão.
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Foto: DW
