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Mulher contra mulher: o machismo também usa batom

16/10/2026 11h58

Há uma ironia cruel na história da humanidade: mulheres que precisaram lutar para conquistar direitos hoje usam a própria liberdade para questionar a liberdade de outras mulheres.


E o mais assustador? Algumas fazem isso com orgulho!


Nunca vi um homem organizando um movimento para retirar o direito de voto dos homens. Tampouco vejo multidões masculinas defendendo que seus semelhantes voltem a ser submissos, silenciosos e obedientes.


Mas mulheres? Ah, essas às vezes conseguem ser as fiscais mais implacáveis da vida de outras mulheres!


Criticam a roupa, o comportamento, a independência, a sexualidade, as escolhas e até o direito de pensar diferente.


E quando o assunto é política, a coisa fica ainda mais indigesta. Há quem confunda posicionamento ideológico com autorização para diminuir conquistas femininas. Como se os direitos das mulheres tivessem partido, religião ou dono.


Não têm!


O direito de votar, estudar, trabalhar, decidir sobre o próprio corpo e ocupar espaços de poder não caiu do céu. Foi conquistado por mulheres que enfrentaram uma sociedade inteira para que outras pudessem escolher seus próprios caminhos.


E aqui mora a contradição: há mulheres desfrutando da liberdade conquistada por suas antepassadas enquanto aplaudem discursos que pretendem restringir a liberdade das próximas gerações.


É como subir uma escada e, depois de chegar ao topo, começar a arrancar os degraus.


E não confundamos as coisas: sororidade não significa concordar com todas as mulheres. Discordar faz parte da democracia. O problema começa quando a divergência vira desprezo e a liberdade alheia passa a ser tratada como ameaça.


Afinal, o machismo não precisa necessariamente de um homem para sobreviver. Às vezes, encontra abrigo justamente em quem deveria reconhecê-lo.


O machismo também usa batom, salto alto, vestido elegante e até discurso de mulher empoderada.


E talvez a maior tragédia não seja uma mulher pensar diferente de outra.


É uma mulher acreditar que, para defender suas convicções, precisa diminuir os direitos de todas as demais.


Porque liberdade de verdade não é apenas defender aquilo que queremos para nós.


É compreender que a outra mulher também tem o direito de escolher uma vida que não se parece com a nossa.


E pensar que nossas avós lutaram tanto para abrir portas que algumas mulheres, hoje, fazem questão de fechar.


De preferência, por dentro!


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SIBÉLE CRISTINA
Coluna atualizada de segunda a sábado
Sibéle Cristina Garcia é apresentadora do programa Mais Mulher na UniTVSC desde maio de 2008. Graduada em Pedagogia e Marketing. Pós-graduada em Sexualidade Humana e Sexologia. É especialista em Relacionamento Abusivo, comunicadora, terapeuta e encorajadora da liberdade feminina.
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