Outro dia ouvi alguém dizer que monogamia era coisa do passado.
Achei curioso.
Porque, olhando ao redor, o que mais vejo são pessoas tentando administrar tantas confusões simultâneas que mal conseguem lembrar onde deixaram a chave de casa, quanto mais o nome da pessoa para quem mandaram o último “bom dia, linda”.
A verdade é que a monogamia funciona como um plano de saúde completo.
Faz bem para a saúde mental, porque você não precisa decorar versões diferentes da mesma história para pessoas diferentes.
Faz bem para a saúde emocional, porque diminui drasticamente o risco de descobrir que era “o amor da vida” apenas nas segundas, quartas e sextas.
Faz bem para a saúde sexual, porque reduz preocupações, exames inesperados e sustos que começam com a frase:
— Amor, precisamos conversar…
E faz bem para a saúde espiritual, porque algumas pessoas já têm dificuldade para administrar uma única consciência pesada. Imagine três ou quatro ao mesmo tempo.
Claro que a monogamia não é um milagre. Não impede brigas, não faz a toalha voltar sozinha para o banheiro e nem elimina o hábito masculino de perguntar onde está algo que está exatamente na frente dele.
Mas simplifica a vida.
Porque amar uma pessoa já exige paciência, diálogo, maturidade e uma boa dose de senso de humor.
Administrar várias relações ao mesmo tempo exige uma planilha de Excel, memória de elefante e um departamento jurídico funcionando 24 horas por dia.
No fim das contas, talvez a monogamia não seja apenas uma escolha amorosa.
Talvez seja uma estratégia de sobrevivência.
E convenhamos: com o preço dos remédios, das terapias e das confusões modernas, fidelidade anda saindo muito mais barata.
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