Se um colega de trabalho quebra a perna e aparece mancando na rua, todos entendem.
Se faz uma cirurgia e é visto tomando um café na padaria, ninguém questiona.
Mas basta alguém se afastar por depressão, ansiedade ou síndrome do pânico e ser visto caminhando no parque, tomando sol ou frequentando uma academia para surgirem os especialistas em suspeitas:
— Ué… não estava doente?
É como se a sociedade tivesse criado uma regra invisível: para provar que sofre, a pessoa precisa parecer sofrendo o tempo todo.
Acontece que a saúde mental não funciona assim.
O médico recomenda atividade física.
A terapia incentiva o contato com a natureza.
O psiquiatra orienta a criar pequenas rotinas de prazer.
Os especialistas falam sobre movimento, luz solar, socialização e autocuidado.
Mas, quando a pessoa tenta justamente seguir essas orientações, aparece alguém dizendo:
— Está muito bem para quem está deprimido.
Como se a recuperação fosse uma fraude.
Como se o sofrimento precisasse ficar trancado em casa, de cortinas fechadas, para ser considerado legítimo.
O que muita gente não entende é que existem batalhas travadas em silêncio.
Há pessoas sorrindo enquanto lutam para sair da cama pela manhã.
Há pessoas caminhando no parque porque a alternativa seria permanecer afundadas em pensamentos destrutivos.
Há pessoas levantando peso na academia porque estão tentando não ser esmagadas pelo peso que carregam dentro da própria mente.
A saúde mental ainda enfrenta um preconceito cruel: o de só ser reconhecida quando se torna visível demais.
E talvez esteja na hora de entendermos que alguém em tratamento não é alguém fingindo estar bem.
É justamente alguém tentando ficar bem.
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