A condenação do principal acusado é necessária. Mas não é suficiente.
Porque a sentença chega tarde. Chega depois do corpo violado. Depois do medo instalado. Depois da infância sequestrada. Depois da criança aprender, da forma mais cruel, que o mundo dos adultos também pode ser um lugar de monstros.
E enquanto uma condenação vira manchete, o Brasil continua falhando no essencial: proteger antes, agir antes, impedir antes.
O Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais continua sem sair do papel. A castração química segue emperrada. A prevenção ainda é frágil. A fiscalização é falha. E a criança, quase sempre, continua sozinha diante do agressor.
Por quê?
A cada oito minutos, uma criança é vítima de violência sexual no Brasil. A cada oito minutos, uma infância sangra em silêncio. A cada oito minutos, uma família descobre tarde demais aquilo que o Estado deveria ter ajudado a impedir.
Não dá para tratar pedofilia com discursos mornos. Não dá para proteger crianças com burocracia, omissão e nota de repúdio.
Criança não é estatística. Criança não é número de boletim. Criança não é prova em processo.
Criança é sagrada.
Quem violenta uma criança não rouba apenas um momento. Rouba o sono, a confiança, a inocência, o futuro e a paz de uma vida inteira.
A luta contra a pedofilia não pode parar quando um culpado é condenado. Ela precisa continuar na lei, na escola, na família, na denúncia, na punição e na vigilância permanente.
Porque infância não combina com trauma.
Infância combina com colo, proteção, brinquedo, riso e dignidade.
O resto é crime.
E omissão também deveria envergonhar.
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