Toda mulher conhece essa criatura mítica.
A dieta que começa na segunda-feira.
Ela nasce no domingo à noite, geralmente depois de um jantar exagerado, quando a calça aperta, a consciência pesa e o espelho resolve cooperar com a sinceridade.
É nesse momento que a mulher faz um juramento solene:
— Amanhã começa uma nova vida!
E começa mesmo.
Na segunda-feira ela acorda determinada. Toma água com limão. Come mamão com chia. Recusa o pão francês. Olha para o café com açúcar como quem observa um ex tóxico.
Às dez da manhã já está levemente irritada.
Ao meio-dia posta uma foto da salada com a legenda:
“Foco, força e fé.”
Às duas da tarde sente que merece uma medalha olímpica pelo esforço realizado.
Às três da tarde acontece o inevitável.
Alguém entra no trabalho carregando uma caixa.
E não é qualquer caixa.
É a caixa.
Aquela de papelão branco que guarda o maior inimigo dos projetos fitness: o bolo de aniversário.
A partir daí, trava-se uma batalha interna.
De um lado, a mulher fitness que nasceu há poucas horas.
Do outro, a mulher que sabe que chocolate é mais fiel que muita gente.
A resistência dura aproximadamente quarenta segundos.
Quando percebe, já está segurando um pratinho e dizendo:
— Só um pedacinho.
Todo mundo sabe que “só um pedacinho” é a frase oficial do fracasso dietético.
Mas a verdadeira beleza da dieta que começa na segunda é que ela nunca acaba de verdade.
Ela apenas muda de data.
Na terça, recomeça na próxima segunda.
Na próxima segunda, passa para a outra.
E assim sucessivamente.
Porque, no fundo, a dieta é como certas promessas de Ano Novo: não foi feita para dar certo.
Foi feita para nos dar esperança.
E esperança, convenhamos, tem menos calorias que brigadeiro.
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