Existe uma teoria de que, depois dos 50, a mulher fica mais sensível.
Concordo plenamente!
Principalmente quando pisa numa inconveniência logo pela manhã, antes mesmo do primeiro café.
Antigamente, eu engolia sapos. Hoje, além de não engolir, ainda pergunto quem foi o irresponsável que abriu o criadouro!
A maturidade tem dessas coisas.
A gente passa metade da vida tentando ser agradável, compreensiva, delicada, disponível e educada. Até que um belo dia acorda, olha no espelho e pensa:
“Mas quem foi que me contratou para ser o SAC emocional da humanidade?”
E o pior: sem salário, sem férias e com reclamações em horário integral!
Tem gente que liga sem perguntar se você pode conversar. Manda áudio de oito minutos para dizer o que caberia em duas linhas. Aparece sem avisar e ainda pergunta:
“Estou atrapalhando?”
Não, imagina! Eu estava aqui, de pijama, com o cabelo parecendo uma samambaia depois do vendaval, esperando justamente uma visita surpresa!
E tem aquela categoria especial de inconveniente: o fiscal da vida alheia.
“Você engordou?”
“Vai sair com essa roupa?”
“Por que não deixou o cabelo crescer?”
“Você não acha que está velha para isso?”
Velha, meu bem, estou para participar de interrogatório gratuito. Para viver, ainda estou novinha em folha!
Depois dos 50, descobri que a paz é um patrimônio. E patrimônio a gente protege!
Minha casa não é rodoviária, meu telefone não é disque-desabafo e minha vida não está aberta para auditoria pública.
Mas atenção: continuo carinhosa, generosa e adoro uma boa conversa.
Só que agora existe um pequeno detalhe: reciprocidade.
Porque cansei de gente que aparece quando precisa, desaparece quando você precisa e ainda se ofende quando encontra a porta fechada.
E sabe qual é a maior vantagem da maturidade?
A gente aprende a dizer NÃO sem escrever uma dissertação explicando os motivos.
“Você pode?”
Não.
“Mas por quê?”
Porque não.
“Mas você sempre…”
Sempre foi justamente o problema, querida!
E não confundam minha nova postura com arrogância.
Arrogância é achar que o tempo, a energia e a disponibilidade dos outros são propriedades suas.
Eu apenas descobri que gentileza não é servidão e que educação não exige autossacrifício.
Hoje, minha tolerância anda descalça em chão de LEGO.
Qualquer pecinha fora do lugar já provoca uma reação!
Mas sigo sorrindo, porque a vida é bonita demais para ser desperdiçada com gente que transforma convivência em teste de resistência.
Depois dos 50, continuo sendo um amor de pessoa. Só que agora venho com manual de instruções, horário de funcionamento e uma plaquinha na entrada:
“Favor não confundir coração aberto com casa da mãe Joana!”
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