Tem gente que defende a liberdade de expressão com uma condição: que você expresse exatamente o que ela pensa.
Caso contrário, acaba a liberdade, começa o interrogatório e, em três mensagens, você já virou inimigo da pátria. Tudo isso antes do café esfriar.
Pensar diferente virou ofensa pessoal. Amizades são julgadas nas urnas, famílias se estranham no almoço e há quem investigue o posicionamento político de alguém antes de perguntar como essa pessoa está.
Uma delicadeza. O afeto agora passa por auditoria ideológica.
Curiosamente, quem exige respeito para a própria opinião nem sempre oferece uma cadeira para a opinião alheia. Quer diálogo, desde que possa escrever as duas falas.
E assim seguimos: cobrando educação dos governantes enquanto humilhamos o vizinho; pedindo um país mais justo enquanto passamos pano para a injustiça de estimação.
Porque o erro do outro é escândalo. O do nosso lado exige contexto, paciência e uma interpretação bastante criativa.
Respeitar diferenças não significa aplaudir absurdos, aceitar violência ou fazer vista grossa para desonestidade. Significa conseguir discordar sem retirar do outro a condição de gente. E ter decência para cobrar de quem apoiamos aquilo que cobramos de quem rejeitamos.
Isso, aliás, dá mais trabalho do que compartilhar frases bonitas com a bandeira ao fundo.
O Brasil precisa de cidadãos capazes de conversar, trabalhar, fiscalizar e reconhecer um erro mesmo quando ele usa a sua cor preferida.
Porque amar o país exige alguma maturidade.
O resto é torcida organizada com título de eleitor.
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