Antigamente, bastava um olhar, uma música romântica e uma porta fechada. Pronto! O desejo entrava em cena sem pedir licença.
Depois dos 50, minha filha, o tesão continua existindo. Só ficou mais burocrático!
Agora, antes de qualquer aventura, é preciso verificar algumas condições: dormi bem? Estou com dor nas costas? A pressão está boa? Amanhã tenho compromisso cedo?
E, principalmente: vale a pena desarrumar a cama que acabei de arrumar?
Porque maturidade é isso.
A gente continua gostando de sexo, mas passou a respeitar profundamente um lençol bem esticado!
Na juventude, qualquer lugar era lugar. Banco de carro, sofá apertado, praia deserta... O importante era a criatividade.
Hoje, criatividade é encontrar uma posição que dê prazer sem precisar marcar fisioterapia na segunda-feira!
E tem a menopausa, essa criatura que chega sem convite e resolve fazer uma reforma geral no condomínio hormonal.
O estrogênio diminui, a libido pode oscilar, o calor aparece do nada e, quando a coisa começa a esquentar, ninguém sabe se é excitação ou fogacho!
— Amor, você está pegando fogo!
— Estou mesmo! Liga o ventilador e não encosta em mim por enquanto!
Mas não se enganem.
Depois dos 50, a mulher não perde o desejo.
Ela perde a paciência para sexo ruim!
Não tem mais disposição para fingir orgasmo, alimentar ego masculino ou participar de uma maratona erótica cujo único prêmio é uma cãibra na panturrilha.
Queremos qualidade, não relatório de desempenho!
E outra coisa: preliminar, nessa fase da vida, começa muito antes do quarto.
É o sujeito lavar a louça sem precisar receber uma medalha. É perceber que estamos cansadas. É conversar, fazer rir, demonstrar carinho.
Porque homem que divide as tarefas domésticas pode não saber, mas está investindo pesado no mercado erótico!
E a famosa rapidinha?
Continua existindo, claro!
Só mudou o conceito.
Antes era sexo em cinco minutos.
Hoje é olhar para o marido e perguntar:
— Quer?
— Quero!
— Então vamos dormir cedo!
E os dois ficam satisfeitos.
Brincadeiras à parte, a maturidade tem uma vantagem maravilhosa: a gente aprende que sexualidade não tem prazo de validade.
O corpo muda, o ritmo muda, as prioridades mudam. Mas o prazer continua sendo um direito, não um privilégio da juventude.
Depois dos 50, o tesão não se aposenta. Ele apenas exige melhores condições de trabalho!
E, se possível, travesseiro adequado, ventilador ligado e nenhum compromisso às sete da manhã.
Porque o amor pode até ser eterno...
Mas a coluna lombar tem seus limites!
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