Tem gente que não tem valores.
Tem plateia.
Em público, defende família, bons costumes, fidelidade, Deus, casamento, decência e tudo aquilo que cabe lindamente numa postagem com bandeirinha e versículo.
No privado, meu amor…
o Código de Ética entra no modo avião.
E antes que alguém se ofenda: não estou dizendo que todo conservador é hipócrita. Seria uma generalização tão burra quanto dizer que todo progressista é desconstruído, tolerante e evoluído.
Estou falando de uma espécie muito particular: o fiscal da moral alheia.
Aquele que sabe o tamanho correto da saia da mulher dos outros, mas perde a régua quando chega em casa.
Condena adultério com a firmeza de um padre no púlpito — enquanto apaga conversa no WhatsApp.
Defende casamento até que a morte separe, mas aparentemente aceita que o motel faça uma breve intervenção no meio do caminho.
Fala em “mulher de respeito”, geralmente sem perceber que a expressão já revela muita coisa sobre o respeito que ele próprio tem pelas mulheres.
E há também quem pregue liberdade, tolerância e diversidade, desde que você pense exatamente como ele. Se discordar, a tolerância fecha para balanço.
Porque incoerência não pede título de eleitor.
O problema nunca foi ser conservador.
Nem ser progressista.
O problema é transformar convicção em fantasia de carnaval: vestir para sair de casa e tirar assim que ninguém estiver olhando.
Caráter é aquilo que você faz quando não existe câmera, eleitor, seguidor, vizinho, esposa, marido, pastor, padre ou chefe por perto.
É fácil condenar pecados com microfone na mão.
Difícil é manter os próprios princípios quando ninguém vai descobrir.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja:
“O que você defende?”
Mas:
“Você vive aquilo que exige dos outros?”
Porque moralidade usada apenas para vigiar a vida alheia não é moralidade.
É figurino.
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