Tudo o que é seu te acha.
O amor acha.
A saudade acha.
As oportunidades acham.
E, aparentemente, o inferno que você fez na vida dos outros também tem GPS.
A vida possui um sistema de entrega curioso. Às vezes demora tanto que a gente acha que o pedido foi extraviado.
Não foi.
Está em trânsito.
Tem gente que machuca, mente, manipula, humilha, trai, usa, descarta e segue a vida com aquela tranquilidade impressionante de quem acredita que consequência é uma coisa que só acontece com os outros.
E a gente olha e pensa:
— Mas não é possível que essa criatura vá sair ilesa!
Calma.
A vida não trabalha com a nossa ansiedade.
Nem sempre o retorno vem pela mesma porta. Quem traiu pode nunca ser traído. Quem abandonou pode nunca ser abandonado. Quem humilhou talvez jamais receba a mesma humilhação.
Mas algumas pessoas acabam encontrando exatamente aquilo que distribuíram: a solidão de não serem mais confiáveis, o vazio das relações que destruíram, a ausência daqueles que cansaram de perdoar.
E existe uma justiça particularmente interessante nisso:
você não precisa fazer absolutamente nada.
Não precisa se vingar.
Não precisa mandar textão.
Não precisa criar perfil falso.
Não precisa consultar tarô, contratar detetive nem pedir atualização para a amiga fofoqueira.
Pode simplesmente seguir.
Porque vingança dá trabalho, envelhece e ainda ocupa espaço na agenda.
Deixe algumas contas para a vida cobrar.
Enquanto isso, cuide para que aquilo que você anda espalhando também seja algo que gostaria de encontrar novamente.
Porque a frase serve para os outros…
mas serve para nós também.
Tudo o que é seu te acha.
Inclusive o amor que você ofereceu.
Inclusive a bondade que ninguém viu.
E, sim…
inclusive o inferno que você um dia fez na vida dos outros.
Esse último talvez demore.
Mas dizem que o entregador conhece o endereço (risos).
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