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BLOGS E COLUNAS

O amor que eu não soube mostrar

20/06/2026 07h01

Quando minha filha mais velha nasceu, eu tinha recentemente feito apenas 18 anos. Engravidei aos 17. 


Eu também era uma criança.


Enquanto ela aprendia a viver, eu aprendia a ser mãe. Enquanto ela dava os primeiros passos, eu tentava descobrir os meus. Não havia manual, não havia experiência, não havia maturidade. Havia apenas uma adolescente assustada, grávida, tentando fazer o melhor que conseguia com o pouco que sabia.


E talvez tenha sido aí que eu tenha falhado.


Nem sempre soube abraçar.

Nem sempre soube dizer “eu te amo”.

Nem sempre soube demonstrar carinho da forma que ela precisava receber.


Hoje entendo que amor não é apenas sentimento. Amor também é linguagem. E eu nunca fui alfabetizada nessa língua.


Minha mãe também não sabia.


Não me lembro de muitos abraços. Não me lembro de grandes declarações. Na nossa geração, amor era prato de comida na mesa, roupa lavada, preocupação silenciosa e noites mal dormidas. Sentimento não se falava. Sentimento se carregava.


Mas um erro não justifica o outro.


Sei que poderia ter sido diferente.

Sei que, em muitos momentos, minha filha merecia ouvir palavras que ficaram presas dentro de mim.


O que ela talvez nunca tenha compreendido é que eu a amava até nos dias em que parecia distante.


Amei quando virei noites preocupada.

Amei quando trabalhei cansada.

Amei quando disse “não” querendo dizer “sim”.

Amei quando tive medo.

Amei quando errei.


Principalmente quando errei.


Porque os erros costumam esconder aquilo que ninguém vê: o esforço desesperado de quem está tentando acertar.


Hoje, olhando para ela, vejo uma mulher forte, inteligente e bonita. E sinto um orgulho tão grande que mal cabe no peito.


Se eu pudesse voltar no tempo, talvez abraçasse mais.

Talvez dissesse mais vezes o quanto ela era importante.

Talvez deixasse o amor escapar pela boca em vez de guardá-lo apenas no coração.


Mas a vida não permite ensaios.


Então escrevo.


Porque algumas mães choram.

Outras abraçam.

Eu escrevo.(lágrimas rolando aqui)


E escrevendo, digo aquilo que talvez nunca tenha conseguido dizer direito:


Filha, você foi o maior susto da minha adolescência.


E também o maior amor da minha vida.



SIBÉLE CRISTINA
Coluna atualizada de segunda a sábado
Sibéle Cristina Garcia é apresentadora do programa Mais Mulher na UniTVSC desde maio de 2008. Graduada em Pedagogia e Marketing. Pós-graduada em Sexualidade Humana e Sexologia. É especialista em Relacionamento Abusivo, comunicadora, terapeuta e encorajadora da liberdade feminina.
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