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BLOGS E COLUNAS

Propaganda contra a compaixão

09/04/2024 07h11

Algumas situações que ocorrem na nossa sociedade são cômicas, não no sentido de provocar um sorriso largo de felicidade, mas sim um riso sem graça, constrangedor e vergonhoso - o típico riso de quem ri para não chorar.

Acho engraçado, desse jeito bem triste e sem graça, ver que muitos líderes religiosos e suas ovelhas, que gostam de falar de boca cheia (nas igrejas e aos quatro ventos) que "devemos amar ao próximo", muitas vezes são as mesmas pessoas que aplaudem as placas de alerta colocadas nos semáforos com os dizeres: "não dê esmolas."

Essas pessoas deviam saber que o ato de dar esmolas não respeita conselhos de placas, pois a bondade e a compaixão são sentimentos genuínos que vêm do fundo do coração e de algum lugar secreto da alma.


Certamente, há dias em que nós (seres humanos) estamos cegos para o sofrimento e as dificuldades alheias, mas na maioria das vezes nosso coração está molinho como 'gelatina sabor de morango'. 


Nesses dias, somos capazes de dar a volta no quarteirão e transitar 3km a mais só para oferecer algum tipo de ajuda a uma mulher que vimos de longe no semáforo, segurando uma placa feita com papelão e escrita com palavras tortas os dizeres: "Por favor, me ajude, preciso comprar alimentos para meus filhos!"

E querem saber? Não há placa de propaganda no mundo que possa impedir uma pessoa bondosa de praticar o bem!

Há pessoas que passam muito tempo na igreja, mencionam constantemente o nome de Deus, e fazem um grande esforço para parecerem bondosas. No entanto, não hesitam em rotular todas as pessoas em situação de rua como "vagabundas".

Não passa pela cabeça desses analfabetos emocionais que por trás de cada pessoa que dorme ao relento há uma história, que nada é certo nesta vida e que ninguém está livre de passar por uma situação semelhante.

As pessoas más nunca me decepcionam, porque delas não espero outra coisa senão maldade e falta de compaixão. No entanto, é assustador quando a indiferença e o desprezo vêm de pessoas que frequentam templos religiosos e vivem pregando a bondade e o amor ao próximo. Triste, mas se entendi direito, isso só pode ter um nome: hipocrisia.



MACIEL BROGNOLI
Crônicas e contos
Maciel Brognoli é guarda municipal de Tubarão, graduado em Administração Pública, especialista em Segurança Pública e Gestão de Trânsito e escritor. Ocupa a cadeira n° 27 da Academia Tubaronense de Letras (Acatul) e escreveu quatro livros.
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