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BLOGS E COLUNAS

O menino da casinha branca

26/07/2021 09h46

Era típico dia de inverno. Ingressei na localidade do Areado (Tubarão, SC) às 14 horas. O sol do início da tarde avivava as cores da natureza e amenizava o frio. E o céu, de tom azul celeste e enfeitado com nuvens de algodão-doce branco e rosa. 


Quando cheguei ao sopé da maior montanha do lugar, avistei uma casinha branca com varanda estreita, onde um menino introspectivo parecia imaginar como é o mundo além das montanhas que circundam a propriedade. Quando ele ouviu o ronco do motor e viu a luz vermelha do giroflex, ficou a observar curioso a aproximação da viatura. 


E foi naquele instante que uma força estranha rompeu em mim o limite que separa o presente do passado, a fantasia da realidade. A estrada de chão batido, o menino do interior, o cantar dos pássaros, o silêncio das montanhas, as plantações de feijão e milho... tudo naquela terra fazia parte do cenário dos meus primeiros anos de vida. 


Estacionei em frente da casinha branca. Cumprimentei e conheci os moradores. Olhei para o menino Paulinho e senti-me como se estivesse diante do espelho. 


Alguns anos antes, quando eu era garotinho e estava à deriva no mar da existência e sem forças para nadar até a segurança da terra firme, fui presenteado com a tábua de salvação em forma de prosa e verso. 


Os livros – ebooks ou tradicionais – sempre me acompanham. Por coincidência, naquele dia, eu tinha dois na viatura: um infanto-juvenil e outro de contos. Presenteei o menino da casinha branca. O de contos – A caneta e o anzol – é do escritor Domingos Pellegrini, autor do primeiro livro que li na vida: A árvore que dava dinheiro. 


Paulinho ficou feliz, agradeceu e disse que os leria com gosto. Em breve, pretendo presenteá-lo com outros títulos. Assim, por meio da leitura, ele vai ficar sabendo o quanto é belo, grande e perigoso o mundo além daquelas montanhas. E o que é melhor, por enquanto, sem precisar sair da segurança e aconchego da casinha branca.

MACIEL BROGNOLI
Crônicas e contos
Maciel Brognoli é guarda municipal de Tubarão, graduado em Administração Pública, Especialista em Segurança Pública e Gestão de Trânsito e escritor. Ocupa a cadeira n° 27 da Academia Tubaronense de Letras (Acatul) e escreveu quatro livros.
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