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BLOGS E COLUNAS

A Vida que Ninguém Vê: Ruan Cléssio de Souza

31/10/2026 15h24

Sentado em um dos bancos da praça de Oficinas, em Tubarão, vi um jovem lendo tranquilamente um livro. A curiosidade me fez aproximar e puxar conversa.


Foi assim que A Vida que Ninguém Vê conheceu Ruan Cléssio de Souza, de 32 anos, e ouviu uma história bonita e inspiradora. Ruan passou a infância e a juventude no povoado de Zabelê, em São Raimundo Nonato, no sertão do Piauí.


Órfão, foi criado pelos avós maternos em uma pequena casa de taipa, onde não faltava o carinho de quem o acolheu.


Na casa não havia água encanada, energia elétrica, rádio ou televisão. Mas havia livros. O avô, apesar da pobreza, gostava de ler.


Lia tudo o que conseguia encontrar: livros que ganhava ou recolhia em lugares onde haviam sido descartados.


Ruan cresceu vendo aquele homem simples descobrir, nas páginas dos livros, um mundo além do sertão. O exemplo do avô despertou no neto o gosto pela leitura.


Até que, certa noite, iluminado apenas pela luz de um candeeiro, Ruan começou a ler O Guarani, de José de Alencar.


Foi o início de uma paixão que nunca mais o abandonou. Tornou-se um leitor voraz e descobriu que também tinha histórias para contar. Começou a escrever. A vida o trouxe para o Sul do Brasil, longe da casa de taipa e daquele avô que, sem perceber, lhe deixou o amor pelos livros.


E o detalhe mais bonito daquela conversa eu só descobri depois. O livro que Ruan lia, sentado naquele banco da praça, era de sua própria autoria.


Pensei naquele menino que descobriu o mundo iluminado pela luz de um candeeiro e agora lia, numa praça de Tubarão, as próprias palavras. Pensei também no avô, que recolhia livros descartados sem imaginar que estava ajudando a construir o futuro do neto.


Naquele banco, não encontrei apenas um rapaz lendo. Encontrei a história de um menino que aprendeu que a pobreza não precisa limitar os sonhos.


Obrigado, Ruan, por compartilhar um pouquinho da sua vida.


E obrigado ao seu avô sertanejo, que talvez nunca tenha imaginado até onde chegariam os livros que ele levava para casa.



Se você também acredita na beleza de histórias como essa, siga @a_vida_que_ninguem_ve no Instagram e descubra relatos que merecem ser conhecidos.


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MACIEL BROGNOLI
Crônicas e contos
Maciel Brognoli é guarda municipal de Tubarão, graduado em Administração Pública, especialista em Segurança Pública e Gestão de Trânsito e escritor. Ocupa a cadeira n° 27 da Academia Tubaronense de Letras (Acatul) e escreveu quatro livros.
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