O assunto que mobilizou o Brasil nas últimas semanas foi a adultização de crianças na Internet. Devemos essa ao influenciador Felca, que, com o vídeo que mexeu com a opinião pública e, por consequência, fez com que o Congresso trabalhasse pela sociedade, provou que isso sim é influenciar, sem parecer uma criança desbocada de quinta série ou fazendo dancinhas esquisitas. Justamente o inverso do que fez Virginia na CPI das Bets, quando fingiu ser uma pré-adolescente – uma infantilização de uma adulta que deveria dar melhor exemplo.
Como é um assunto que já foi debatido à exaustão, gostaria de levantar aqui uma outra sugestão: a urgente adultização dos nossos políticos. Como estamos próximos de uma nova campanha eleitoral, não custa torcer para que quem se candidate amadureça. Nesta próxima campanha, que se discutam projetos para o país, menos juros, menos desigualdade, mais oportunidades e, principalmente, como viabilizar tudo isso? E que a campanha não se reduza a fazer arminhas com a mão ou outro gesto idiota – já que esse, graças!, está fora de moda.
Tão ultrapassado que a revista britânica The Economist colocou Bolsonaro na capa desta semana, comparando-o ao “Viking do Capitólio”, a dona Fátima de lá. Disse que o Brasil dá uma “lição de maturidade democrática” para os outros países sobre como se recuperar de uma “febre populista”, e afirma que somos a grande democracia das Américas. Disse mais: que o STF é uma “barreira contra o autoritarismo” e que o papel do “adulto democrático mudou dos Estados Unidos para o Brasil”, ao se referir à maturidade das nossas instituições.
Portanto, vamos fazer jus a este novo momento da vida política brasileira. Seja de esquerda, de direita ou extremista de centro, como a revista se define. No ano que vem, teremos uma nova oportunidade de eleger políticos mais comprometidos com o futuro do país e do planeta. Que não se discutam pautas infantis, como duvidar da Ciência e da vacinação, se a Terra é plana, se temos de cuidar ou não do meio ambiente, e outras coisas imbecis e já superadas há tempos pela civilização. Que tenhamos mais gente como Felca – e menos Nikolas.
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