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SAÚDE
19/10/2021 18h42

Grávidas com covid grave sem vacina têm 5 vezes mais chance de morrer que as vacinadas

Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 também constatou um aumento de 256% nas mortes de grávidas e puérperas por covid em relação ao ano passado

Mulheres grávidas e puérperas que desenvolvem um quadro grave de covid-19 e não receberam a vacina têm cinco vezes mais chances de morrer em relação às que, mesmo graves, foram imunizadas com duas doses, aponta um levantamento do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19.

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Para chegar à conclusão, pesquisadores da USP e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) consideraram 3.972 casos graves de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), com diagnóstico confirmado de covid, entre grávidas e puérperas no Brasil.

O levantamento considerou casos registrados no Sivep Gripe, do Ministério da Saúde, a partir de 2 de maio – quando gestantes e puérperas já podiam ser vacinadas no país – até 9 de outubro.


Veja as principais conclusões:


- Entre as gestantes e puérperas sem qualquer dose de vacina, 14,6% das mulheres com casos graves de covid-19 morreram.


- Entre as gestantes e puérperas que haviam recebido ao menos uma dose de vacina, a letalidade caiu para 9,3%.


- Entre as que haviam sido vacinadas com as duas doses de vacina, a letalidade foi de 3,2%.


"A chance de óbito de uma gestante ou puérpera que não recebeu nenhuma dose é 526% maior do que a chance de óbito de uma gestante que foi completamente imunizada", explica Agatha Rodrigues, professora de estatística da Ufes e coordenadora do Observatório Obstétrico Brasileiro.


A chance de óbito do grupo que não tomou nenhuma dose da vacina também foi 66% maior que no grupo que recebeu pelo menos uma dose", diz.

Agatha explica que a letalidade entre as não vacinadas é considerada alta, o dobro da que foi vista no mesmo período de 2020, de 7%. Naquela época, como não havia vacina, nenhuma das grávidas que morreram havia sido imunizada.

No ano passado, segundo um outro levantamento do observatório, o Brasil teve uma média semanal de 10,2 mortes maternas por covid – ao todo, foram 459 óbitos, divididos pelas 45 semanas epidemiológicas em que houve pandemia.

Já em 2021, essa média está em 36,3 mortes por semana. Desde o início o ano até a semana 40 (que terminou em 9 de outubro), foram registrados 1.452 óbitos maternos por covid. A diferença é de um aumento de 256%. Na população geral, esse aumento foi de 72,5%.


A gravidez e o puerpério (período de 45 dias após o parto, também conhecido como resguardo) são considerados fatores de risco para desenvolver quadros graves da covid-19. Ambos os grupos são considerados prioritários na vacinação para a doença.


Baixa cobertura

Os dados sobre a vacinação de grávidas e puérperas não estavam completos: para algumas, por exemplo, não era possível saber se a mulher havia sido imunizada ou não.

Ao todo, o levantamento identificou 3.972 casos graves de covid em grávidas e puérperas no Brasil neste ano. Desses, havia informações sobre a mulher ter sido ou não vacinada em 2.694 deles (cerca de 68%).


Quando a informação sobre a vacinação estava disponível, os pesquisadores constataram que 2.166 – o equivalente a 80,4% das mulheres – não haviam sido vacinadas.


Para Agatha Rodrigues, coordenadora do observatório, a baixa cobertura vacinal para a covid nesses grupos é fruto de desinformação sobre a vacina.


"A gente passou para a população em geral uma onda de desinformação muito grande sobre a vacinação – a nossa avaliação é que com a população materna isso foi mais grave ainda, até por envolver feto e tudo o mais. Muita desinformação para essa população foi disseminada", avalia a pesquisadora.


Os dados sobre quais vacinas foram aplicadas em quais pessoas são escassos – pois devem ser preenchidos manualmente na hora da aplicação, e, muitas vezes, isso é feito de forma incompleta ou não é feito. Hoje, a imunização desses grupos no Brasil é feita com a vacina da Pfizer ou a CoronaVac.


Agatha reitera que grávidas e puérperas devem receber a vacina assim que possível.

"Mesmo médicos falaram [no início da campanha] para esperar o 3º período [da gestação]. A recomendação não é essa, é para vacinar assim que possível. Muita informação errada chegou para essas populações, principalmente mais para o começo da vacinação – teve muita gente contra. Felizmente, no Brasil, conseguimos reverter isso, mas a população materna foi muito bombardeada com essas notícias sobre vacinação", pondera.

Fonte: g1 - Foto: Raiza Milhomem/Prefeitura de Palmas/Divulgação
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