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GERAL
03/01/2024 12h16

Casarão da família Medeiros foi uma perda histórica para Tubarão

Leia a nova coluna de Maciel Brognoli

Quando eu era criança, a presença de trinta ou quarenta carros transitando simultaneamente pelas ruas de Tubarão já era considerada um engarrafamento. Esse movimento anormal ocorria somente quando falecia uma pessoa muito conhecida e abastada da cidade.


O cortejo, acompanhado pelos olhares curiosos dos transeuntes à beira da estrada, seguia lentamente rumo à terra onde repousam os mortos.


Em fila, os amigos do falecido dirigiam seus carrões (Del Rey, Fusca, Corcel II, Opala...) com um estilo que ajudava a refrescar o corpo nos dias quentes, o cotovelo apoiado no vidro aberto da porta para sentir o vento no peito, já que poucos automóveis dispunham de ar-condicionado naquela época.


Quando o cemitério era distante, a prefeitura providenciava um transporte coletivo, e todos os que não tinham carros (a grande maioria) seguiam espremidos até a cidade dos mortos. Depois que o cortejo passava, as ruas voltavam a ficar vazias.


Hoje em dia, congestionamentos não evocam mais a ideia de um cortejo fúnebre; tornaram-se uma ocorrência cotidiana que não surpreende mais ninguém. A cidade de Tubarão expandiu-se consideravelmente; suas ruas agora estão constantemente congestionadas com carros em trânsito ou estacionados.


Recordo-me dos tempos em que me surpreendia ao ver, nas notícias televisivas, a escassez de vagas para estacionamento nas ruas do Rio de Janeiro. Lá, era comum encontrar muitos estacionamentos privados, enquanto os "flanelinhas" cobravam valores exorbitantes para "cuidar" dos carros estacionados nas vias públicas.

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Por outro lado, na minha infância em Tubarão, o "flanelinha" era mais uma figura folclórica, algo como o Saci-pererê, existente somente em nossa imaginação, já que ninguém exercia essa atividade por aqui, pois havia mais espaço para estacionar do que veículos para ocupar essas vagas.


Atualmente, houve uma drástica transformação na nossa querida Cidade Azul. Como todos nós sabemos, as vagas de estacionamento nas ruas centrais estão quase sempre ocupadas, e "flanelinhas" surgem de todos os lados para oferecer seu "serviço de qualidade".


O setor de estacionamento privado tornou-se altamente rentável, levando até à demolição de patrimônios históricos para dar lugar a esses empreendimentos.


Quem reside em Tubarão e tem pelo menos 30 anos de idade teve a sorte de ver o casarão que pertencia à família Medeiros ainda de pé.


Imponente e exuberante, sua graça encantava as pessoas que passavam na esquina entre a avenida Marcolino Martins Cabral e a rua Tubalcain Faraco. Anos atrás, por causa de sua beleza arquitetônica, foi até escolhido para ser a residência do Papai Noel.


O tempo passou, e embora o esplendor do casarão tenha sido notável, ele não pôde rivalizar com o brilho cegante do dinheiro, que obscurece a razão.


Lamentavelmente, hoje um estacionamento ocupa o lugar onde um dia se erguia o casarão da família Medeiros. Isso empobrece nossa história e entristece nossos olhos, evidenciando a triste certeza de que aos poucos estamos apagando nosso próprio passado.


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Coluna Maciel Brognoli/Sul Agora
Agora Sul
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