Tem gente que olha para a sua vida e pensa:
“Queria ter a sorte dela.”
Sorte.
Palavrinha curiosa para resumir uma história cujos capítulos ninguém leu.
Vê a fotografia bonita, mas não viu a madrugada em claro.
Vê a conquista, mas não conhece as renúncias.
Vê o sorriso, mas não sabe quantas vezes ele precisou ser reconstruído depois do choro.
As pessoas costumam invejar o palco sem conhecer os bastidores.
Querem sua coragem, mas não gostariam de enfrentar aquilo que obrigou você a ser corajosa.
Querem sua independência, mas não conhecem as vezes em que você precisou se virar sozinha.
Querem sua força, mas jamais perguntaram quanto custou ficar forte.
É fácil desejar a colheita quando não fomos nós que enterramos as sementes com as mãos machucadas.
Por isso, aprendi a não desejar a vida de ninguém.
Porque toda existência tem quartos que não aparecem nas visitas. Gavetas que ninguém abre. Cicatrizes escondidas debaixo da roupa. Orações feitas baixinho quando não havia mais ninguém para pedir ajuda.
A gente conhece das pessoas aquilo que elas conseguem mostrar.
O resto é travessia.
Então, antes de dizer “queria a vida dela”, pense duas vezes.
Talvez você esteja admirando a luz sem imaginar o tamanho da escuridão que aquela pessoa precisou atravessar para acendê-la.
Porque tem gente que cobiça até a nossa cruz…
sem fazer ideia do peso que carregamos para chegar até aqui sem cair.
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