Setembro chegou vestido de amarelo.
E, com ele, vêm as campanhas, os laços, as frases sobre esperança e os lembretes de que a vida importa.
Mas talvez a parte mais importante do Setembro Amarelo aconteça quando ninguém está olhando.
Na mensagem que você resolve mandar.
Na ligação que decide atender.
No café que toma com alguém que anda diferente.
Na pergunta que não é feita por educação, mas por interesse verdadeiro:
“Como você está… de verdade?”
Porque nem toda tristeza chora.
Tem gente sofrendo de maquiagem feita, cabelo arrumado e sorriso bonito na fotografia.
Tem gente trabalhando.
Fazendo piada.
Cuidando dos filhos.
Postando stories.
Dizendo “está tudo bem” porque já percebeu que muita gente pergunta sem querer realmente ouvir a resposta.
Talvez por isso precisemos falar menos sobre “ser forte” e mais sobre não precisar ser forte o tempo inteiro.
Há dias em que coragem é levantar da cama.
Há dias em que coragem é admitir:
“Eu não estou conseguindo.”
E há momentos em que a maior demonstração de amor não é dar conselho.
É ficar.
Ouvir sem julgamento.
Não comparar dores.
Não dizer “tem gente pior”.
Não transformar sofrimento em falta de fé, ingratidão ou fraqueza.
Dor emocional também precisa de cuidado.
Setembro Amarelo não deveria ser apenas um mês de prevenção.
Deveria ser um lembrete coletivo de humanidade.
Porque talvez você nunca saiba qual foi o tamanho da diferença que fez na vida de alguém simplesmente por ter permanecido por perto.
Então, neste setembro, antes de perguntar por que alguém desistiu, talvez devêssemos aprender a perguntar:
quem estava realmente disposto a ouvir enquanto essa pessoa ainda tentava ficar?
Que o amarelo não esteja apenas nas nossas postagens.
Que esteja na nossa presença.
Na nossa escuta.
No nosso cuidado.
E, principalmente, na coragem de dizer a quem precisa ouvir:
“Você não precisa enfrentar tudo sozinho. Vamos procurar ajuda.”
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