Há quem diga, quase com orgulho: “Eu apanhei e não morri.”
Será?
Essa semana , um menino de apenas três anos foi espancado pelo próprio pai porque não respondeu a um “bom dia”. Não teve uma segunda chance. A violência interrompeu sua infância, seus sonhos e sua vida.
Mas existem outras mortes que não aparecem no atestado de óbito.
Toda vez que uma criança apanha, algo dentro dela também é ferido. Às vezes morre a autoestima. Outras vezes, a confiança. Em muitos casos, morrem a espontaneidade, a inocência e a certeza de que o mundo pode ser um lugar seguro.
A criança aprende a obedecer por medo, não por respeito. Aprende a se calar para sobreviver. E muitas crescem acreditando que amor e violência podem dividir o mesmo teto.
A frase “apanhei e não morri” precisa ser revista. Talvez o corpo tenha sobrevivido, mas quantas cicatrizes emocionais ficaram escondidas? Quantos adultos ainda lutam contra a insegurança, a culpa, a dificuldade de amar ou de acreditar em si mesmos por causa das agressões que sofreram na infância?
Educar nunca foi sinônimo de machucar.
Autoridade não precisa de violência. Respeito não nasce do medo. E amor jamais se expressa por meio da dor.
Que a morte desse menino não seja apenas mais uma notícia. Que ela nos obrigue a romper, de uma vez por todas, com a cultura que normaliza a agressão como ferramenta de educação.
Porque toda criança merece crescer ouvindo palavras que a fortaleçam, não golpes que a destruam.
Pelo fim da cultura da violência contra as crianças.
