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BLOGS E COLUNAS

Quando a chuva para

24/08/2026 11h07

Há pessoas que chegam até nós em dias de tempestade.


Chegam molhadas de problemas, carregadas de angústias, procurando abrigo, conselho, ajuda, colo, oportunidade. E nós, muitas vezes sem perceber, abrimos o nosso guarda-chuva.


Dividimos espaço.


Seguramos a haste quando o vento fica forte.


Ficamos ali, tomando respingos, apenas para que o outro não se molhe tanto.


Durante a tempestade, somos importantes.


O telefone toca.

A mensagem chega.

O convite aparece.

A nossa opinião interessa.

Nossa presença parece indispensável.


Até que a chuva passa.


E é curioso como algumas pessoas mudam quando o céu abre.


Aquele guarda-chuva que parecia imprescindível começa a incomodar. Ocupa espaço. Dá trabalho carregar. Já não existe tanta urgência em mantê-lo por perto.


Com gente também acontece assim.


Enquanto você resolve, facilita, indica, ajuda, empresta, acolhe, abre portas ou serve de ponte, há quem lhe ofereça os melhores sorrisos.


Mas basta você deixar de ser útil para descobrir se havia afeto ou apenas conveniência.


E essa talvez seja uma das descobertas mais dolorosas da vida adulta:


nem todo mundo que gosta daquilo que você oferece gosta realmente de você.


Há quem ame o benefício, não a pessoa.


Há quem seja fiel à facilidade que você proporciona, não à amizade que diz sentir.


Há quem confunda carinho com acesso, amizade com interesse e gratidão com necessidade.


Por isso, não se impressione demais com quem aparece durante a chuva.


Observe quem permanece quando chega o sol.


Quem continua ligando quando não precisa de favor.


Quem pergunta como você está sem preparar um pedido na frase seguinte.


Quem comemora suas conquistas mesmo quando não participa delas.


Quem permanece perto quando você não tem nada para oferecer além da sua presença.


Essas pessoas são raras.


E preciosas.


A vida ensina, às vezes de maneira bastante amarga, que determinados afastamentos não são perdas. São revelações.


Porque quando o benefício termina, a máscara da conveniência costuma cair.


E talvez você descubra que nunca perdeu um amigo.


Perdeu apenas alguém que precisava de um guarda-chuva.


A chuva passou.


E levou junto quem nunca teve intenção de ficar.


Nem todo sorriso é sincero.

Mas toda ausência depois do benefício diz muita coisa.


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SIBÉLE CRISTINA
Coluna atualizada de segunda a sábado
Sibéle Cristina Garcia é apresentadora do programa Mais Mulher na UniTVSC desde maio de 2008. Graduada em Pedagogia e Marketing. Pós-graduada em Sexualidade Humana e Sexologia. É especialista em Relacionamento Abusivo, comunicadora, terapeuta e encorajadora da liberdade feminina.
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