Há quem deixe a porta de casa trancada, mas o coração escancarado.
Qualquer pessoa entra. Alguns chegam sorrindo, tiram os sapatos, fazem festa. Outros entram sem pedir licença, bagunçam os sentimentos, quebram a paz e, quando vão embora, ainda deixam a culpa para quem ficou.
O coração não nasceu para ser uma praça pública. É um lar.
E todo lar precisa de critérios para quem recebe.
Amadurecer é descobrir que amor não combina com ingenuidade. Bondade não exige ausência de limites. Perdoar não obriga a abrir novamente a porta para quem fez da sua confiança um lugar de destruição.
Há pessoas que merecem uma chave. Outras, apenas um cumprimento à distância. E algumas precisam permanecer do lado de fora.
Não por vingança, mas por respeito a si mesmo.
Quem valoriza sua presença também valoriza sua ausência. Quem cuida de você não exige acesso ilimitado à sua vida.
O coração não pode ser uma porta aberta para qualquer um. Precisa ser uma casa onde só permanece quem sabe cuidar daquilo que encontrou ali.
Porque paz não é solidão.
É a companhia certa.
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