Nenhum perdão é fácil.
Primeiro, a mente precisa perdoar.
É quando a gente entende. Racionaliza. Junta as peças. Repete para si mesma que já passou, que todo mundo erra, que carregar mágoa pesa mais em quem carrega.
A mente é inteligente.
Ela cria argumentos.
Encontra explicações.
Assina tratados de paz.
Depois, o coração precisa perdoar.
E aí demora um pouco mais.
Porque o coração não entende argumentos. Ele se lembra da decepção, da palavra atravessada, do abandono, da confiança quebrada. O coração precisa de tempo para parar de visitar o lugar onde doeu.
Mas, um dia, ele também sossega.
Só que existe um último território.
O corpo.
O corpo é o último a perdoar.
Porque ele lembra do que a boca já decidiu esquecer.
Ele arrepia.
Enrijece.
Recua.
O coração dispara diante de um tom de voz.
O estômago embrulha com um cheiro.
As mãos tremem diante de uma situação que parece familiar.
E você pensa:
“Mas eu já perdoei…”
Talvez tenha.
Só que o corpo ainda está aprendendo que o perigo passou.
Por isso, não cobre de si uma paz instantânea.
Há perdões que começam como decisão, atravessam o sentimento e só muito tempo depois chegam à pele.
Perdoar não é apertar um botão.
É ensinar, aos poucos, cada parte de nós que já podemos sair da guerra.
A mente entende.
O coração aceita.
Mas o corpo…
O corpo precisa se sentir seguro para finalmente soltar a dor.
Receba outras colunas direto em seu WhatsApp. Clique aqui.
