Li uma frase outro dia e ela ficou ecoando dentro de mim:
“Ninguém tem credencial para ser juiz da vida alheia.”
Não conheço o autor, mas tem o meu respeito.
Vivemos numa época curiosa. As pessoas mal conseguem administrar os próprios conflitos, mas se sentem especialistas em avaliar as escolhas dos outros. Julgam relacionamentos que não viveram, dores que não sentiram, batalhas que nunca enfrentaram e decisões tomadas em noites que elas sequer testemunharam.
É fácil apontar o dedo para quem está no palco quando se assiste à vida da plateia.
Difícil é carregar os sapatos do outro, conhecer suas lágrimas silenciosas, seus medos escondidos e as renúncias que ninguém viu.
A verdade é que cada ser humano trava guerras particulares. Há pessoas sorrindo enquanto enfrentam tempestades. Há quem pareça forte, mas esteja se reconstruindo por dentro. Há quem tenha tomado a única decisão possível para sobreviver emocionalmente.
Por isso, antes de julgar, talvez fosse mais sábio tentar compreender.
E, se não for possível compreender, que ao menos exista o silêncio.
Porque a vida não distribui diplomas de juiz. Não entrega martelos. Não concede autoridade para condenar histórias que desconhecemos.
No fim das contas, todos nós somos apenas aprendizes caminhando pela mesma estrada, errando, acertando, caindo e recomeçando.
E quem já precisou de misericórdia um dia deveria ser o primeiro a oferecê-la.
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