Durante muito tempo, antes de tomar uma decisão, eu fazia uma espécie de pesquisa de opinião pública.
“O que você acha?”
“Será que devo?”
“E se der errado?”
“Você faria?”
Como se os outros fossem morar dentro das consequências das minhas escolhas.
A gente demora para perceber que pedir opinião demais pode ser uma maneira disfarçada de pedir permissão para viver.
E pior: muitas vezes buscamos aprovação justamente de quem jamais teria coragem de fazer aquilo que estamos querendo fazer.
Até que chega uma idade — e bendita seja ela — em que alguma coisa muda.
Você entende que não precisa convencer ninguém sobre o caminho que escolheu.
Quer mudar? Mude.
Quer começar? Comece.
Quer terminar? Termine.
Quer ir? Vá.
Quer ficar? Fique.
Só não entregue o volante da sua vida para quem vai assistir ao seu acidente da calçada.
É claro que ouvir quem amamos é importante. Conselho sensato é presente. Mas existe uma diferença enorme entre ouvir uma opinião e terceirizar uma decisão.
Maturidade talvez seja exatamente isso: escutar todo mundo e, no final, conseguir escutar a si mesma.
Algumas das minhas melhores decisões não receberam aplausos no começo.
Receberam sobrancelhas levantadas.
Silêncios desconfortáveis.
“Você tem certeza?”
Não tinha.
Fui mesmo assim.
Porque descobri que coragem não é ter certeza.
É parar de exigir aprovação para aquilo que, no fundo, o coração já decidiu.
E foi justamente quando parei de pedir licença que algumas partes de mim finalmente começaram a florescer.
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