Por muito tempo, confundimos amor com resistência.
Achamos bonito dizer:
“Eu aguentei.”
Aguentei o silêncio.
Aguentei a ausência.
Aguentei a indiferença.
Aguentei as palavras que machucaram.
Aguentei promessas quebradas, desculpas repetidas e aquela esperança teimosa de que amanhã seria diferente.
Como se a duração de uma relação fosse medida pela quantidade de dor que alguém consegue suportar.
Hoje, não.
Eu não quero mais relações que dependam da minha capacidade de suportar.
Quero relações que também dependam da capacidade do outro de cuidar.
Porque eu sei ser forte.
Sei atravessar tempestades.
Sei juntar meus pedaços.
Sei reconstruir a casa depois do vendaval.
Mas não quero precisar provar minha força justamente onde deveria encontrar abrigo.
Não quero ser admirada porque aguentei tudo.
Quero ser respeitada para não precisar aguentar tanto.
Há uma diferença enorme entre lutar por uma relação e lutar dentro dela o tempo inteiro.
Relacionamentos atravessam crises, dificuldades, fases ruins. Amar também exige paciência, concessões e perdão.
Mas amor não pode ser uma prova de resistência permanente.
Quando apenas um compreende, espera, perdoa, cede, procura, conversa e conserta, isso já não é parceria.
É sobrecarga afetiva.
Chega uma idade emocional em que a gente para de perguntar:
“Será que consigo suportar mais um pouco?”
E começa a perguntar:
“Por que eu deveria?”
Eu ainda quero amar profundamente.
Só não quero mais precisar desaparecer para que alguém permaneça.
Quero reciprocidade.
Presença.
Responsabilidade afetiva.
Conversa.
Respeito.
E, principalmente, quero poder baixar a guarda.
Porque talvez uma das maiores provas de amor não seja encontrar alguém por quem você suportaria tudo.
É encontrar alguém ao lado de quem você não precise suportar tanto.
Eu já sobrevivi a muita coisa.
Agora quero relações nas quais eu possa simplesmente viver.
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