Ensinaram a gente a não desistir.
A insistir.
A tentar mais uma vez.
A suportar mais um pouco.
A acreditar que quem abandona um caminho é fraco.
Mas esqueceram de nos ensinar uma coisa importante:
há caminhos dos quais desistir é sobrevivência.
Desista de lugares onde você precisa diminuir para caber.
Desista de relações em que você passa mais tempo tentando entender a dor do outro do que cuidando da sua.
Desista de conversas que sempre terminam fazendo você duvidar de si.
Desista de ambientes onde o seu corpo entra antes de você e já começa a pedir socorro.
Porque o corpo sabe.
Ele perde o sono.
Aperta o peito.
Embola o estômago.
Dói a cabeça.
Rouba a energia.
E, muitas vezes, aquilo que chamamos de “cansaço” é a alma tentando dizer:
“Eu não aguento mais viver assim.”
Nem toda persistência é virtude.
Às vezes, continuar é apenas medo de admitir que aquele caminho já terminou.
Você não precisa permanecer num lugar apenas porque caminhou muito para chegar até ele.
Não precisa continuar amando alguém só porque um dia amou demais.
Não precisa sustentar uma escolha antiga para provar coerência.
Mudar de ideia também é maturidade.
Ir embora também é decisão.
Desistir também pode ser amor-próprio.
Existem batalhas que merecem nossa força.
E existem batalhas que só querem consumir o que ainda resta dela.
Aprenda a diferença.
Você não nasceu para transformar sofrimento em prova de resistência.
Há portas que precisam ser fechadas.
Pessoas que precisam ficar para trás.
Planos que precisam ser refeitos.
Caminhos que precisam ser abandonados.
Não porque você perdeu.
Mas porque finalmente percebeu que nenhum destino vale o preço de adoecer durante a viagem.
Desista dos caminhos que te fazem adoecer.
E tenha coragem de escolher aqueles em que você consegue, finalmente, respirar.
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