Não quero ser inconveniente nem nada…
Agora que a Copa do Mundo acabou, posso fazer uma pergunta?
Aquele escândalo bilionário envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS… ficou por isso mesmo?
Curioso como alguns assuntos desaparecem da conversa pública.
Basta a bola começar a rolar.
Durante semanas, o país veste a camisa, aprende a escalação, discute impedimento, critica técnico, vira especialista em tática. E isso não é um problema. O futebol faz parte da nossa identidade.
O problema é quando a paixão pelo esporte ocupa o espaço da indignação pelaquilo que realmente afeta a vida das pessoas.
Enquanto comemorávamos gols ou lamentávamos derrotas, milhares de aposentados continuavam tentando entender por que o dinheiro do remédio, da comida ou da conta de luz havia desaparecido de seus benefícios.
A notícia envelhece.
O prejuízo, não.
Escândalos públicos parecem ter prazo de validade. Permanecem nas manchetes até surgir um novo assunto capaz de capturar nossa atenção. Depois, o silêncio faz o resto.
Não importa quem esteja no poder.
Quando há suspeita de corrupção, fraude ou desvio de recursos públicos, a sociedade tem o dever de cobrar investigação, responsabilização e ressarcimento aos prejudicados. Sem torcida organizada. Sem seletividade. Sem memória curta.
Porque a verdadeira cidadania não pode funcionar como um controle remoto.
Não dá para trocar de canal justamente quando a realidade começa a incomodar.
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