Há discussões que não nasceram de uma ofensa.
Nasceram do cansaço.
Do corpo parado. Da cabeça que não desliga. Da alma que ficou tempo demais presa entre quatro paredes, remoendo o mesmo pensamento até transformá-lo em certeza.
Nem toda explosão é falta de amor.
Às vezes, é excesso de tensão.
Uma caminhada faz o que muitos argumentos não conseguem. Coloca o coração no ritmo dos passos. Faz a respiração desacelerar. Dá tempo para a razão alcançar a emoção.
Enquanto caminhamos, a raiva perde o fôlego.
As palavras que pareciam urgentes começam a soar desnecessárias. O orgulho vai ficando pelo caminho. E o que parecia imperdoável encolhe diante da imensidão do céu, do vento no rosto e do silêncio que organiza os sentimentos.
Nem toda conversa precisa acontecer no auge da irritação.
Há diálogos que merecem esperar o fim da caminhada.
Porque a raiva gosta da inércia. Ela cresce quando ficamos imóveis, alimentando pensamentos que se repetem como um disco riscado.
O movimento, ao contrário, devolve perspectiva.
Talvez o mundo tivesse menos portas batidas, menos bloqueios, menos arrependimentos e menos palavras que nunca deveriam ter sido ditas… se, antes de discutir, as pessoas apenas calçassem um tênis e saíssem para caminhar.
Às vezes, o caminho mais curto para a paz começa com o primeiro passo.
