Toda mulher já comprou um.
Se você está dizendo que nunca comprou, provavelmente está mentindo ou ainda não recebeu a propaganda certa.
Porque basta aparecer alguém com uma pele impecável dizendo:
— Em apenas sete dias…
E lá estamos nós, pegando o cartão de crédito.
O curioso é que a natureza levou décadas para construir aquilo que queremos eliminar.
As linhas de expressão demoraram cinquenta anos para aparecer.
A gravidade trabalhou silenciosamente por décadas.
As manchas chegaram aos poucos.
Mas nós acreditamos sinceramente que um potinho de R$ 49,90 resolverá tudo antes do próximo final de semana.
A esperança feminina é uma força da natureza.
Eu mesma tenho uma relação antiga com um clássico absoluto:
O creme Nivea da latinha azul.
Aquele não é um cosmético.
É um patrimônio afetivo.
Uma instituição nacional.
Um membro honorário da família.
Não importa quantos lançamentos apareçam.
Não importa quantas embalagens futuristas prometam revolucionar a dermatologia.
Eu continuo voltando para a latinha azul.
Porque ela nunca prometeu milagres.
Nunca disse que me faria parecer vinte anos mais jovem.
Nunca afirmou que apagaria rugas, celulites, manchas e os traumas emocionais acumulados desde a adolescência.
Ela simplesmente existe.
Discreta.
Honesta.
Leal.
Enquanto os outros cremes prometem me transformar numa deusa grega em sete dias, o Nivea parece dizer:
— Escuta, minha filha… eu só vou hidratar tua pele. O resto é terapia.
E eu respeito isso.
Aliás, acho que a maturidade chega quando paramos de procurar milagres e passamos a valorizar aquilo que funciona.
Porque o verdadeiro creme milagroso não é o que promete juventude eterna.
É o que nos faz sentir cuidadas.
É aquele ritual silencioso diante do espelho.
Aquele momento em que passamos o creme no rosto e pensamos:
— Pronto. Fiz a minha parte.
O restante fica por conta da genética, da água, do sono, dos hormônios e da boa vontade do universo.
Hoje ainda sorrio quando vejo anúncios prometendo resultados extraordinários.
Mas já aprendi uma coisa.
Se existisse mesmo um creme capaz de apagar cinquenta anos em apenas sete dias, ele não seria vendido em farmácia.
Seria guardado em um cofre suíço sob vigilância internacional.
Enquanto isso não acontece, sigo fiel à minha latinha azul.
Porque algumas rugas contam histórias.
Algumas marcas são lembranças.
E algumas paixões, como o velho creme Nivea, simplesmente envelhecem junto com a gente.
Sem prometer milagres.
Mas cumprindo exatamente o que prometem.
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