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BLOGS E COLUNAS

Bolsa feminina é um portal dimensional

12/06/2026 11h58

Outro dia um homem me perguntou o que eu carregava dentro da bolsa.


Eu respondi:

— Não sei.


E essa foi a resposta mais honesta que dei nos últimos anos.


Porque a bolsa feminina não é um acessório.

É um fenômeno.

Um portal dimensional.

Uma espécie de universo paralelo onde as leis da física simplesmente deixam de existir.


Por fora, ela parece normal.

Às vezes até pequena.

Mas basta abrir o zíper para descobrir que lá dentro existe uma realidade própria.


Na minha bolsa encontrei três pares de óculos.

Nenhum era exatamente o que eu precisava naquele momento.


Sete comprovantes de compras que já não lembro por que guardei.

Um carregador de celular.

Uma caneta sem tampa.

Uma bala de hortelã com validade emocional vencida em 2019.

Dois lenços de papel amassados.

Uma moeda solitária.

E uma chave.

Uma chave misteriosa.

Daquelas que aparecem há tanto tempo que já fazem parte da família.


Ninguém sabe de onde veio.

Ninguém sabe o que abre.

Mas também ninguém tem coragem de jogar fora.


Vai que é importante.

Aliás, “vai que é importante” é o princípio que sustenta toda bolsa feminina.


Por isso ela pesa quase o mesmo que uma mala de viagem internacional.


Existe remédio para dor de cabeça.

Para dor de barriga.

Para alergia.

Para uma emergência.

E provavelmente para uma epidemia que ainda nem foi descoberta.


A verdade é que a bolsa da mulher é uma mistura de farmácia, papelaria, almoxarifado, lanchonete e setor de achados e perdidos.


Tudo ao mesmo tempo.


E o mais impressionante é que, quando precisamos encontrar alguma coisa urgente, ela desaparece.


Você enfia a mão.

Procura.

Revira.


Questiona suas escolhas.


E o objeto simplesmente some.


Mas basta chegar em casa e esvaziar a bolsa sobre a cama para ele reaparecer, olhando para você com a mesma expressão de quem diz:


— Eu estive aqui o tempo todo.


Talvez por isso eu tenha certeza de que as bolsas femininas são portais.


Porque desafiam a lógica.

Escondem mistérios.

Guardam relíquias.

E carregam pedaços inteiros da nossa história.


No fundo, uma bolsa feminina é muito parecida com o coração de uma mulher.


Tem muito mais coisas lá dentro do que as pessoas imaginam.


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SIBÉLE CRISTINA
Coluna atualizada de segunda a sábado
Sibéle Cristina Garcia é apresentadora do programa Mais Mulher na UniTVSC desde maio de 2008. Graduada em Pedagogia e Marketing. Pós-graduada em Sexualidade Humana e Sexologia. É especialista em Relacionamento Abusivo, comunicadora, terapeuta e encorajadora da liberdade feminina.
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