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BLOGS E COLUNAS

A mentira que ela aprendeu a chamar de verdade

19/08/2026 05h39

A violência doméstica nem sempre começa com um tapa.


Às vezes, começa com uma frase.


“Você não é boa o suficiente.”

“Ninguém vai querer você.”

“Você não consegue viver sem mim.”

“Você provoca tudo isso.”

“Olha o que você me fez fazer.”


E de tanto ouvir, algumas mulheres começam a acreditar.


Esse talvez seja um dos efeitos mais perversos da violência: uma mentira repetida pode se transformar em uma identidade vivida.


A mulher que antes se reconhecia forte começa a se enxergar incapaz. A que tinha opinião passa a pedir permissão. A que sorria livremente aprende a medir palavras, roupas, amizades, horários e até o próprio silêncio.


Até que um dia já não sabe mais onde termina o medo e onde começa ela.


Por isso, sair de uma relação violenta não significa apenas fechar uma porta.


É preciso reconstruir tudo aquilo que foi sendo destruído dentro dela.


A autoestima.

A confiança.

A autonomia.

A voz.

A capacidade de acreditar novamente nas próprias escolhas.


E talvez uma das frases mais importantes que uma sobrevivente precise ouvir seja:


Você sobreviveu ao lugar onde ainda tentavam convencê-la de que não conseguiria viver sem eles.


Agora começa outro caminho.


O de devolver a si mesma o nome que a violência tentou apagar.


Você não é fraca.

Não é aquilo que disseram sobre você.

Não é a culpa que colocaram nos seus ombros.


Você é alguém que atravessou uma história difícil e ainda está aqui.


E reconstruir-se não significa voltar a ser quem você era antes.


Às vezes, significa conhecer pela primeira vez a mulher que poderia ter sido se ninguém tivesse tentado diminuí-la.


Sobreviver foi o primeiro ato de coragem.

Restaurar a própria identidade será o próximo ato de liberdade.


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SIBÉLE CRISTINA
Coluna atualizada de segunda a sábado
Sibéle Cristina Garcia é apresentadora do programa Mais Mulher na UniTVSC desde maio de 2008. Graduada em Pedagogia e Marketing. Pós-graduada em Sexualidade Humana e Sexologia. É especialista em Relacionamento Abusivo, comunicadora, terapeuta e encorajadora da liberdade feminina.
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