Não se precipite.
Nem toda verdade chega fazendo barulho. Algumas precisam de silêncio, distância e, principalmente, tempo.
Há momentos em que acreditamos ter entendido tudo: o gesto, a ausência, a palavra atravessada, a mudança repentina de alguém. E, mesmo bem-intencionados, podemos montar uma história inteira a partir de apenas um pedaço dela.
O problema é que a pressa costuma preencher com suposições os espaços que ainda não foram ocupados pelos fatos.
Por isso, antes de julgar, acusar, romper ou tomar decisões definitivas, permita que os dias façam também o trabalho deles.
O tempo tem uma habilidade que nós, na ansiedade de compreender, muitas vezes não temos: ele tira as máscaras sem precisar arrancá-las.
Com o passar dos dias, as incoerências aparecem, as versões se encontram ( ou se contradizem), as intenções ficam mais claras e aquilo que parecia inexplicável começa a encontrar sentido.
E pode acontecer também o contrário: aquilo que você jurava ser verdade talvez não fosse.
Ter boas intenções não nos torna imunes ao engano. Podemos interpretar errado, ouvir apenas uma versão, enxergar pela lente das nossas próprias feridas ou simplesmente chegar a uma conclusão cedo demais.
Maturidade também é saber esperar antes de bater o martelo.
Porque há verdades que não precisam ser perseguidas.
Elas apenas precisam de tempo.
E quando finalmente chegam, quase sempre trazem consigo uma certeza tranquila:
a pressa queria uma resposta.
O tempo trouxe a verdade.
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