Fanatismo é uma coisa curiosa: começa com uma certeza e, quando a gente percebe, já expulsou todas as perguntas de casa.
O fanático não conversa. Ele aguarda a sua vez de falar.
Não escuta para compreender. Escuta procurando uma brecha para atacar.
E talvez aí esteja o grande perigo.
Porque inteligência não é saber tudo. É conseguir admitir: “Posso estar errado.”
É ouvir uma opinião diferente sem transformar o outro em inimigo. É mudar de ideia quando os fatos mudam. É desconfiar até das próprias certezas.
O fanatismo, ao contrário, precisa de fidelidade cega.
Vale para política, religião, futebol, relacionamentos e até para aquela discussão familiar em que ninguém mais lembra como começou, mas todo mundo pretende morrer defendendo o próprio lado.
Tem gente que não defende mais uma ideia.
Defende uma identidade.
Se você questiona a ideia, ela sente que questionou a pessoa. E pronto: fecha-se a janela, bate-se a porta e a razão fica do lado de fora tocando a campainha.
Talvez maturidade seja justamente conseguir dizer:
“Eu gosto, mas questiono.”
“Eu acredito, mas penso.”
“Eu discordo, mas respeito.”
Porque nenhuma convicção deveria exigir que entregássemos o cérebro na portaria.
A inteligência gosta de janelas abertas.
O fanatismo prefere trancar a casa por dentro.
E depois ainda jura que é o mundo lá fora que está preso.
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