A Vida que Ninguém Vê encontrou, na entrada da Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, em Laguna, o senhor Ronaldo de Castro. Eu ia passando quando ele perguntou meu nome e quis saber se eu conhecia a história da igreja e da cidade.
Respondi que conhecia pouco. Então ele se ofereceu para contar. Parei para ouvir e, em poucos minutos, fiquei impressionado com o conhecimento daquele homem.
Ronaldo falou sobre a história da igreja, sua construção e as obras de arte que estão lá dentro. Falou também da Bica da Carioca, da praça e, naturalmente, de Anita Garibaldi, a Heroína dos Dois Mundos.
Quanto mais ele falava, mais eu percebia que estava diante de alguém que carregava consigo uma parte da memória de Laguna.
Ronaldo é conhecido na cidade. Hoje leva uma vida diferente, caminhando pelas ruas e permanecendo muitas vezes nas imediações da igreja. Segundo ele me contou, foi um dos primeiros guias turísticos de Laguna.
E basta ouvi-lo por alguns minutos para perceber que aquele conhecimento não veio por acaso. Naquela tarde, sentado na entrada da igreja e acompanhado de um cão preto, Ronaldo me deu uma verdadeira aula de história.
Talvez essa tenha sido a parte mais bonita do encontro. Quem passasse apressado poderia enxergar apenas um senhor idoso, aparentemente em situação de rua. Eu também poderia ter passado sem parar. Mas parei para ouvi-lo. E aquele homem que tantas pessoas talvez vejam todos os dias sem realmente enxergar foi, por alguns minutos, meu professor.
A vida tem dessas coisas. Nem todo professor está dentro de uma sala de aula. Às vezes, ele está na porta de uma igreja, acompanhado de um cachorro, carregando na memória histórias de uma cidade inteira e esperando apenas que alguém pare para ouvir.
Obrigado, senhor Ronaldo, por compartilhar comigo um pouco da sua história e do seu conhecimento.
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