Recados anônimos com elogios de teor íntimo foram deixados dentro de bolsas e mochilas de passageiras
Mulheres e adolescentes que utilizam o transporte coletivo em Criciúma denunciam o recebimento de bilhetes anônimos com conteúdo íntimo deixados dentro de bolsas e mochilas durante viagens de ônibus.
As mensagens, escritas à mão em pequenos pedaços de papel, trazem elogios aos pés das vítimas e teriam sido feitas pela mesma pessoa. As informações foram divulgadas pelo portal ND+.
Pelo menos cinco mulheres relatam ter encontrado os recados, entre elas duas menores de idade.
Uma jovem de 21 anos afirmou que recebeu o primeiro bilhete em fevereiro de 2025 e que, ao todo, encontrou ao menos cinco mensagens semelhantes.
Segundo ela, os papéis eram colocados discretamente em um bolso lateral da bolsa.
Outra passageira que utiliza a linha conhecida como “amarelinho”, que liga os terminais urbanos, também disse ter recebido dois bilhetes.
O conteúdo segue o mesmo padrão, com declarações consideradas invasivas.
Algumas vítimas relatam insegurança ao usar o transporte público, especialmente no período noturno.
Adolescentes também teriam sido alvo das mensagens e registraram boletim de ocorrência pela internet, mas ainda não receberam a validação, segundo o portal.
A delegada Ana Elisa Vargas de Souza, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), informou que não houve denúncia formal diretamente na unidade até o momento.
O Grupo Forquilhinha e o Consórcio Cribus, responsáveis pelo transporte coletivo, afirmaram que assédio não se resume a contato físico e orientaram que vítimas procurem funcionários ou acionem a Polícia Militar de Santa Catarina pelo 190 ou a Polícia Civil pelo 181.
Confira a nota na íntegra:
O Consórcio CriBus reforça o seu compromisso contra o assédio nas áreas dos terminais e coletivos urbanos. No dia 25/2, tomamos conhecimento, pela imprensa, do caso em que bilhetes com palavras de assédio teriam sido colocados em mochilas ou bolsas de passageiras nos ônibus e terminais.
Diante desse tipo de situação, reforçamos aos nossos clientes que o assédio não é somente físico. Ele pode acontecer por meio de comentários constrangedores, olhares insistentes, perguntas invasivas, registros sem consentimento ou qualquer atitude que cause desconforto e viole sua privacidade.
Orientamos às pessoas que eventualmente tenham sofrido esse tipo de assédio que denunciem, procurando um profissional do transporte ou autoridade mais próxima, peçam ajuda a quem estiver próximo e denunciem nos telefones 190 da Polícia Militar e 181, da Polícia Civil. No transporte coletivo, respeito é essencial. Seguimos trabalhando para que cada trajeto seja seguro, humano e acolhedor para todos.
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