Grupo é acusado de controlar o tráfico em condomínio, lavar dinheiro e ostentar patrimônio incompatível com renda declarada
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou denúncia contra quatro supostos integrantes de uma facção criminosa acusados de comandar o tráfico de drogas em um condomínio residencial de Tubarão.
Segundo a investigação, o esquema criminoso movimentaria cerca de R$ 450 mil por mês, por meio do comércio ilícito de entorpecentes e de práticas sistemáticas de lavagem de capitais.
A denúncia já foi recebida pela Justiça, o que torna os investigados réus em ação penal. O caso é conduzido pela 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, que atua junto à Vara Estadual de Organizações Criminosas.
De acordo com o Ministério Público, o grupo operava de forma hierarquizada, com funções bem definidas, seguindo um modelo semelhante ao da facção criminosa de alcance estadual à qual estaria vinculado.
A chefia direta do ponto de venda de drogas no condomínio era exercida por um dos denunciados, apontado como a autoridade máxima dentro do residencial.
Conforme a ação, ele determinava quem podia entrar ou sair do condomínio, impunha regras internas e chegou a ordenar a expulsão de moradores.
Embora mantivesse uma fachada de pequeno empresário, o acusado ocultava um patrimônio incompatível com a renda declarada, adquirindo veículos de luxo, imóveis e joias por meio de contratos informais e sem registros oficiais, caracterizando lavagem de dinheiro.
Outro denunciado seria responsável pelo controle financeiro e logístico da organização, incluindo a compra de insumos para o preparo das drogas, como microtubos utilizados para embalar cocaína, além da articulação de remessas vindas de outras regiões.
Entre 2022 e 2024, ele teria movimentado mais de R$ 1 milhão em contas pessoais, sem origem lícita comprovada, enquanto sua empresa formal registrou movimentação de apenas R$ 50,00 no período.
A gerência operacional do tráfico ficaria a cargo de um terceiro integrante, responsável por coordenar vendedores, supervisionar adolescentes recrutados pela facção e, segundo a denúncia, ordenar atos de violência.
O quarto réu é apontado como o principal responsável pela ocultação de patrimônio. Ele utilizaria um estabelecimento comercial como fachada para lavar dinheiro, registrando em seu nome veículos de luxo e imóveis usados pela organização, além de ceder propriedades para funcionarem como depósitos de drogas.
As investigações indicam movimentação de cerca de R$ 6 milhões em contas pessoais e empresariais, valor incompatível com sua atividade declarada de lavação de veículos.
Além da condenação pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de capitais, o Ministério Público requer a fixação de indenização por danos morais coletivos, em razão dos impactos sociais das atividades ilícitas, e o perdimento dos bens adquiridos com recursos de origem criminosa, já sequestrados por decisão judicial.
Receba outras notícias pelo WhatsApp. Clique aqui e entre no grupo do Sul Agora.